Pecuária

Girolando responde por 80% do leite nacional

Em regiões mais quentes, principalmente no Nordeste e em áreas tropicais do Norte e Centro-Oeste, a raça vem mostrando maior resistência e estabilidade produtiva mesmo em condições climáticas adversas.

Daniel Vilar
Especialista
3 min de leitura
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A raça Girolando vem consolidando seu espaço como principal base da pecuária leiteira nacional. Segundo a Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, cerca de 80% do leite produzido no Brasil já tem participação direta da raça, resultado do cruzamento entre o gado Holandês e o Gir.

De acordo com o presidente da associação, Alexandre Lacerda, o grande diferencial do Girolando está justamente na combinação entre produtividade e adaptação ao clima tropical. Enquanto o Holandês possui alta capacidade de produção de leite, mas maior exigência em alimentação e conforto térmico, o Gir apresenta rusticidade, resistência ao calor e melhor adaptação às condições brasileiras.

O cruzamento entre as duas raças permitiu formar um animal mais eficiente para a realidade do campo no Brasil. Segundo a associação, a produtividade média da raça chegou a 7.500 quilos de leite por lactação em 2025. Há cerca de 25 anos, a média nacional era próxima de 1.700 quilos por animal durante o mesmo período.

Além da evolução produtiva, o Girolando também vem ampliando sua presença internacional. O Brasil já exporta material genético da raça para diversos países tropicais, utilizando programas de melhoramento desenvolvidos em parceria com a Embrapa.

Segundo Alexandre Lacerda, mais de 34 características genômicas da raça são monitoradas atualmente. Entre elas estão produtividade leiteira, resistência ao carrapato, adaptação climática e até indicadores ligados à emissão de metano.

O mercado de genética também segue aquecido. Em 2025, o Brasil registrou recorde na venda de sêmen da raça, ultrapassando 1,3 milhão de doses comercializadas. A venda de embriões também vem crescendo, acelerando o processo de melhoramento genético dos rebanhos.

A associação afirma que trabalha junto a entidades e órgãos oficiais para ampliar protocolos sanitários e abrir novos mercados internacionais para exportação de material genético e animais vivos. Apesar das exigências sanitárias e burocráticas, o setor vê potencial para o Brasil se tornar referência global em genética leiteira tropical.

Na prática, o avanço do Girolando impacta diretamente o produtor rural. Em regiões mais quentes, principalmente no Nordeste e em áreas tropicais do Norte e Centro-Oeste, a raça vem mostrando maior resistência e estabilidade produtiva mesmo em condições climáticas adversas.

Segundo a associação, no sertão nordestino muitos animais são alimentados com palma forrageira e ainda conseguem manter boa produção de leite. Rondônia e estados nordestinos aparecem entre as regiões onde a expansão da raça mais cresce atualmente.

As informações foram divulgadas pelo Correio Braziliense e adaptadas pela MilkPoint.

Para o produtor, o principal ponto de atenção continua sendo o manejo. Mesmo com maior rusticidade, bons resultados dependem de nutrição equilibrada, controle sanitário, conforto animal e escolha correta da genética conforme o sistema de produção utilizado na propriedade.

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