China sinaliza continuidade nas compras de carne do Brasil
O presidente da Abiec, Roberto Perosa, destacou que a relação comercial vai além dos números e é construída com base em confiança, regularidade de entrega e qualidade do produto brasileiro.
Exportadores brasileiros e importadores chineses reforçaram nesta semana a importância da parceria comercial da carne bovina entre os dois países e sinalizaram que ainda existe espaço para ampliar os negócios nos próximos anos, mesmo diante das limitações impostas pela nova cota de importação chinesa.
As declarações ocorreram durante o evento The Beef and Road, realizado em Chongqing, no sudoeste da China, e promovido pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). O encontro reuniu representantes de 21 frigoríficos brasileiros exportadores e cerca de 50 empresas importadoras chinesas.
Segundo informações divulgadas pela própria Abiec, o objetivo do evento foi fortalecer as relações comerciais e abrir novas oportunidades de negócios entre frigoríficos brasileiros e traders chineses, empresas responsáveis pela distribuição da carne no mercado local.
O encontro aconteceu em um momento de atenção para o setor exportador. No último fim de semana, o Ministério do Comércio da China informou que o Brasil já ocupou cerca de 50% da cota de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina autorizada para exportação em 2026. Quando esse limite for atingido, os embarques brasileiros passarão a pagar tarifa de 55%.
Mesmo com esse cenário, representantes da indústria brasileira afirmaram que a parceria com a China continua sólida. Durante o evento, o presidente da Abiec, Roberto Perosa, destacou que a relação comercial vai além dos números e é construída com base em confiança, regularidade de entrega e qualidade do produto brasileiro.
Do lado chinês, empresários do setor de importação também demonstraram confiança no abastecimento vindo do Brasil. Mark Zang, CEO da trading JinShangXu International, afirmou que o mercado global de proteína passa por mudanças, mas ressaltou que o Brasil mantém vantagens estruturais importantes, como capacidade produtiva, estabilidade de fornecimento e competitividade.
O executivo também comentou a possibilidade de retorno dos Estados Unidos ao mercado chinês. Nesta quinta-feira (14), autoridades chinesas renovaram temporariamente as licenças de exportação de quase 400 frigoríficos norte-americanos. Apesar disso, representantes chineses afirmaram que o Brasil segue sendo considerado o principal parceiro estratégico da China na importação de carne bovina.
Dados apresentados durante o evento mostram o tamanho dessa relação comercial. Segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), as exportações brasileiras de carne bovina para a China saltaram de aproximadamente 100 mil toneladas há dez anos para quase 1,7 milhão de toneladas em 2025.
A China hoje consome cerca de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano, mas produz aproximadamente 8 milhões de toneladas, mantendo forte dependência das importações para atender a demanda interna.
Para o pecuarista brasileiro, o cenário mostra que a China continua sendo o principal motor das exportações nacionais de carne bovina. Ao mesmo tempo, o avanço rápido da ocupação da cota exige atenção do setor para os próximos meses, principalmente em relação às tarifas, ao ritmo dos embarques e ao comportamento dos frigoríficos exportadores.
As informações foram divulgadas pelo Globo Rural e Abiec durante o evento em Chongqing e complementadas por declarações de representantes da ApexBrasil e de importadores chineses presentes no encontro.