Pecuária

Estudo da Embrapa melhora rentabilidade da tilápia

Os resultados chamam atenção porque a ração pode representar até 80% dos custos totais da engorda de tilápias.

Gustavo Loose
Especialista
3 min de leitura
tilápia
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A alimentação representa o maior custo da criação de tilápias em tanques-rede e, muitas vezes, pequenos ajustes no manejo podem gerar economia significativa dentro da piscicultura. Pensando nisso, pesquisadores da Embrapa desenvolveram uma tecnologia capaz de reduzir em até 7% o custo de alimentação de tilápias cultivadas em tanques-rede no Tocantins.

O estudo foi conduzido pela Embrapa Pesca e Aquicultura e validou, pela primeira vez para as condições do Tocantins, uma tabela de alimentação específica para tilápia-do-nilo criada em tanques-rede. Até então, muitos produtores utilizavam tabelas desenvolvidas para outras regiões do país, principalmente reservatórios de Goiás, que possuem condições ambientais diferentes.

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Segundo os pesquisadores, a nova estratégia mostrou que é possível reduzir em 10% a quantidade de ração fornecida aos peixes sem comprometer o desempenho produtivo. Nos testes realizados no reservatório de Lajeado, os animais mantiveram bom crescimento, alta sobrevivência e rendimento adequado mesmo recebendo menos ração.

Na prática, isso significa redução direta no custo de produção. Um peixe que teria custo estimado em R$ 7,00 por quilo produzido poderia passar para cerca de R$ 6,51/kg com o manejo ajustado. Em sistemas comerciais maiores, essa diferença pode representar uma economia importante ao longo do ciclo.

Os resultados chamam atenção porque a ração pode representar até 80% dos custos totais da engorda de tilápias. Além da economia financeira, o menor desperdício de alimento também reduz o impacto ambiental da atividade, diminuindo o excesso de nutrientes liberados na água.

Durante o experimento, os peixes saíram de aproximadamente 210 gramas para 936 gramas em 119 dias, mantendo conversão alimentar média de 1,7 e taxa de sobrevivência de 97%. Esses índices reforçam a segurança técnica da nova recomendação.

A tabela validada orienta o produtor semana a semana, considerando peso dos peixes, quantidade de refeições diárias, taxa de alimentação, nível de proteína da ração e tamanho ideal dos pellets. O protocolo recomenda quatro alimentações por dia e uso de rações com 32% de proteína durante a fase avaliada.

Os pesquisadores destacam, porém, que a economia não depende apenas da tabela. O manejo correto continua sendo fundamental para evitar perdas. Entre as principais recomendações estão o uso de comedouros, horários fixos de alimentação, realização de biometrias periódicas para acompanhar o crescimento dos peixes e armazenamento adequado da ração.

Outro ponto importante é evitar sobras de alimento nos tanques. Além de aumentar os custos, o excesso de ração pode prejudicar a qualidade da água e comprometer o desempenho dos animais.

O Tocantins ainda possui produção relativamente pequena de tilápia, com cerca de 700 toneladas em 2024, mas o potencial de crescimento é considerado alto. Estimativas apontam capacidade de suporte para até 290 mil toneladas por ano nos reservatórios do estado.

🔧 Orientação:
Se você trabalha com tilápia em tanques-rede, vale revisar o manejo alimentar antes do próximo ciclo. Muitas vezes, o desperdício de ração acontece sem ser percebido no dia a dia. Fazer biometria frequente e ajustar corretamente a quantidade ofertada pode melhorar sua margem sem afetar o ganho de peso dos peixes.

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