Agricultura

Paraná resgata força no café especial

Agora, o foco está menos em quantidade e mais em qualidade.

Gustavo Loose
Especialista
4 min de leitura
Compartilhar 𝕏 f WA in

O Paraná, que já foi o maior produtor individual de café do mundo na década de 1970, volta a ganhar espaço no mercado cafeeiro brasileiro, agora com foco em cafés especiais e valorização da origem dos grãos. O movimento ganhou força com o lançamento da Linha Paraná, da Coffee++, marca que aposta na tradição histórica do estado para atender um consumidor cada vez mais interessado em qualidade, rastreabilidade e experiência sensorial.

A cafeicultura paranaense marcou a história do agro brasileiro. Segundo dados históricos do IBGE, o estado chegou a produzir mais de 20 milhões de sacas por ano, representando quase metade da produção nacional. Mas esse cenário mudou drasticamente após a “Geada Negra” de 1975, uma das maiores tragédias climáticas já registradas no agronegócio brasileiro.

A geada destruiu milhões de pés de café e acelerou a migração da produção para estados como Minas Gerais, Bahia e Mato Grosso. Mesmo perdendo força em volume, o Paraná manteve sua tradição no setor e começou, nos últimos anos, a investir em nichos de maior valor agregado.

Agora, o foco está menos em quantidade e mais em qualidade.

Segundo Leonardo Montesanto, fundador e CEO da Coffee++, o estado possui um patrimônio histórico que ainda influencia diretamente a cafeicultura nacional. A proposta da Linha Paraná é justamente conectar essa tradição com o atual mercado de cafés especiais.

O novo café apresenta perfil sensorial com notas de mel, rapadura e avelã, reforçando uma tendência crescente no consumo premium: produtos ligados à identidade regional e à experiência do consumidor. A linha será comercializada em versões moída e em grãos, inicialmente em parceria com a rede Festval.

O avanço desse mercado acompanha uma mudança importante no comportamento do consumidor brasileiro. Hoje, além do sabor, cresce o interesse por informações sobre origem, método de produção, sustentabilidade e características sensoriais do café.

Para o produtor, isso representa uma mudança estratégica importante. Em muitas regiões, especialmente onde há limitações climáticas ou menor escala produtiva, trabalhar cafés especiais pode gerar maior valorização da saca e abrir portas para mercados mais exigentes.

🔧 Na prática, investir em qualidade pós-colheita, rastreabilidade e diferenciação da origem pode aumentar significativamente o valor agregado do café. Processos como colheita seletiva, secagem controlada e armazenamento adequado têm se tornado cada vez mais importantes para produtores que desejam acessar o mercado de cafés especiais.

Mais de Agricultura

Ver todas →

Boletim Agriconline

O agronegócio na sua caixa de entrada, todo dia às 6h.

Cotações, clima, mercado e as principais notícias do campo — em 5 minutos de leitura.

Enviaremos um e-mail pra você confirmar. Sem spam — descadastre quando quiser.