Agricultura

Conflito pressiona oferta mundial de fosfato

A Mosaic, uma das maiores empresas de fertilizantes do mundo, afirmou que a oferta global de fosfatados pode não ser suficiente para atender à demanda nos próximos meses.2

Gustavo Loose
Especialista
3 min de leitura
fosfato
Compartilhar 𝕏 f WA in

O mercado internacional de fertilizantes voltou a acender um sinal de atenção para o produtor rural. A Mosaic, uma das maiores empresas de fertilizantes do mundo, afirmou que a oferta global de fosfatados pode não ser suficiente para atender à demanda nos próximos meses.

O alerta veio do CEO da companhia, Bruce Bodine, durante uma teleconferência com analistas nesta segunda-feira. Segundo ele, os conflitos no Oriente Médio e no Mar Negro estão afetando diretamente o fornecimento de matérias-primas essenciais para a fabricação de fertilizantes fosfatados.

A preocupação não é pequena. De acordo com a Mosaic, quase 20% do fosfato e cerca de metade do enxofre transportado por via marítima têm origem no Oriente Médio. O enxofre é um dos componentes fundamentais para a produção de fosfatados, principalmente MAP e DAP, amplamente usados na agricultura brasileira.

Além disso, a guerra na Ucrânia segue afetando rotas logísticas e matérias-primas que passam pela região do Mar Negro, aumentando a pressão sobre os custos globais.

Para quem produz no Brasil, especialmente soja, milho, café, cana e hortifrúti, isso significa um cenário de maior risco para preços e disponibilidade de fertilizantes na próxima safra.

Bodine chamou atenção para outro ponto importante: muitos produtores no mundo estão reduzindo aplicações de fósforo por conta das margens apertadas e do custo elevado dos insumos. Segundo ele, essa estratégia pode trazer impactos sérios no médio prazo.

“Não há substituto para o fosfatado”, afirmou o executivo.

O fósforo tem papel direto na formação radicular, pegamento inicial, energia da planta e produtividade. Quando o solo entra em deficiência, os efeitos podem permanecer por várias safras, principalmente em áreas já desgastadas.

Na prática, o produtor pode até economizar em uma safra reduzindo doses drasticamente, mas o custo aparece depois em forma de perda de vigor, menor eficiência das adubações seguintes e queda de produtividade.

Isso pesa ainda mais em solos brasileiros que apresentam grandes áreas naturalmente pobres em fósforo.

Enquanto o mercado de fosfato preocupa, o potássio apresenta um cenário mais equilibrado. Segundo a Mosaic, mesmo com a forte demanda global as compras seguem normalmente e têm se mantido uma relação entre oferta e consumo mesmo que ajustada.

No Brasil, a Mosaic afirmou que mantém postura conservadora diante do ambiente de crédito mais restritivo no agro. A companhia disse estar mais seletiva na alocação de capital e ajustando o ritmo de vendas para manter participação de mercado.

Para o produtor rural, o cenário reforça uma lição importante que vem se repetindo: fertilizante deixou de ser apenas custo operacional e passou a ser uma variável estratégica da propriedade.

Quem depende de compras em cima da hora fica mais exposto à volatilidade internacional.

🔧 Orientação prática:
Se você ainda não fechou parte da adubação da próxima safra, este é o momento de revisar análise de solo, histórico de fósforo da área e eficiência das aplicações anteriores. Em algumas situações, manejo localizado, construção gradual de fertilidade e maior eficiência na aplicação podem reduzir desperdícios sem comprometer o potencial produtivo.

Assuntos relacionados

Mais de Agricultura

Ver todas →

Boletim Agriconline

O agronegócio na sua caixa de entrada, todo dia às 6h.

Cotações, clima, mercado e as principais notícias do campo — em 5 minutos de leitura.

Enviaremos um e-mail pra você confirmar. Sem spam — descadastre quando quiser.