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União Europeia barra carnes do Brasil

Até o momento, não foram detalhados oficialmente quais estabelecimentos brasileiros poderão ser diretamente afetados nem se haverá possibilidade de adequação antes da entrada em vigor da medida.

Daniel Vilar
Especialista
4 min de leitura
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A Comissão Europeia informou que o Brasil ficará fora da nova lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal para a União Europeia a partir de 3 de setembro. A decisão pode afetar diretamente embarques brasileiros de carne bovina, frango, ovos e animais vivos destinados ao bloco europeu.

Segundo comunicado enviado pela Comissão Europeia à Reuters, a medida está ligada às regras sanitárias da União Europeia sobre o uso de determinadas substâncias antimicrobianas em animais de produção.

Na prática, o bloco europeu endureceu as exigências relacionadas ao uso de antibióticos considerados críticos para a saúde humana. A legislação europeia busca limitar o uso dessas substâncias na produção animal para reduzir riscos associados à resistência antimicrobiana, tema que vem ganhando força globalmente.

Com isso, países exportadores precisam comprovar alinhamento às normas europeias para continuar habilitados a vender produtos de origem animal ao mercado europeu.

O impacto potencial é relevante para o agronegócio brasileiro. A União Europeia representa um mercado estratégico para carnes de maior valor agregado, especialmente bovinos e aves. Além disso, exigências sanitárias europeias costumam influenciar outros mercados internacionais.

Até o momento, não foram detalhados oficialmente quais estabelecimentos brasileiros poderão ser diretamente afetados nem se haverá possibilidade de adequação antes da entrada em vigor da medida.

O tema também acende alerta sobre rastreabilidade, manejo sanitário e protocolos de uso racional de medicamentos veterinários nas propriedades rurais. Nos últimos anos, diversos mercados importadores passaram a exigir controles mais rigorosos sobre resíduos e utilização de antibióticos na produção pecuária.

Especialistas avaliam que a tendência mundial é de aumento das barreiras sanitárias relacionadas à sustentabilidade, bem-estar animal e segurança alimentar.

Para o produtor, isso reforça a importância de seguir protocolos técnicos no uso de medicamentos veterinários, respeitar períodos de carência e manter registros sanitários organizados. Em cadeias exportadoras, a rastreabilidade já deixou de ser diferencial e passou a ser requisito básico de mercado.

🔧 Na prática, pecuaristas e integrados da avicultura devem acompanhar possíveis atualizações do MAPA e das indústrias exportadoras sobre protocolos sanitários e exigências de mercado. O controle correto de medicamentos, receitas veterinárias e manejo sanitário pode ser decisivo para manter acesso aos mercados internacionais mais exigentes.

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