Exportações de carnes seguem em ritmo recorde
Somente em abril, os embarques somaram 251,9 mil toneladas, o maior volume já registrado para o mês em toda a série histórica da Secex.
As exportações brasileiras de carne bovina e carne suína continuam em forte ritmo em 2026, impulsionadas principalmente pela demanda internacional. Dados divulgados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, com base nas estatísticas da Secretaria de Comércio Exterior, mostram que os embarques seguem em níveis históricos tanto para a bovinocultura quanto para a suinocultura.
No caso da carne bovina in natura, o Brasil exportou 953,6 mil toneladas entre janeiro e abril de 2026. O volume representa crescimento de 15,2% em relação ao mesmo período do ano passado e avanço de quase 30% frente ao primeiro quadrimestre de 2024.
Somente em abril, os embarques somaram 251,9 mil toneladas, o maior volume já registrado para o mês em toda a série histórica da Secex.
A China segue como principal destino da carne bovina brasileira. Apenas em abril, os chineses compraram 135,4 mil toneladas da proteína, aumento de 32,8% em relação a março. No acumulado do quadrimestre, as compras chinesas chegaram a 460,8 mil toneladas, crescimento de 19,3% frente ao mesmo período de 2025.
Segundo pesquisadores do Cepea, o cenário externo ainda deve exigir atenção do setor nos próximos meses. Entre os fatores monitorados estão a questão das cotas chinesas para importação de carne bovina e as novas exigências da União Europeia relacionadas ao uso de antimicrobianos em produtos de origem animal.
Nesta semana, o bloco europeu divulgou uma lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal dentro das novas regras sanitárias e o Brasil ficou de fora. Apesar disso, o impacto tende a ser limitado no curto prazo, já que a União Europeia representa cerca de 4% das exportações brasileiras de carne bovina.
Mesmo com essas incertezas, o mercado internacional segue sustentado pela oferta global mais restrita de proteína animal, fator que continua favorecendo os embarques brasileiros.
Na carne suína, o cenário também é positivo para as exportações. Em abril, o Brasil embarcou 138,3 mil toneladas, o maior volume já registrado para o mês desde o início da série histórica da Secex, em 1997.
O resultado representa crescimento de 8,2% frente a abril de 2025 e marca o quinto mês consecutivo de recordes nos embarques da proteína.
No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, as exportações de carne suína somaram 526,4 mil toneladas, avanço de 14,4% na comparação anual.
Segundo o Cepea, o aumento das exportações reflete uma estratégia adotada pelo setor diante do consumo doméstico mais enfraquecido. Com dificuldade maior no mercado interno, frigoríficos e indústrias vêm direcionando maior volume para o mercado externo como forma de reduzir a oferta interna.
Mesmo assim, os pesquisadores destacam que os embarques representaram cerca de 26% da produção nacional de carne suína em abril, percentual ainda insuficiente para impedir a queda dos preços no mercado brasileiro.
Para o produtor, o cenário reforça a importância do mercado externo para sustentação da cadeia de proteínas em 2026. Ao mesmo tempo, fatores como barreiras sanitárias, cotas internacionais e demanda chinesa continuarão influenciando diretamente os preços e o ritmo dos negócios nos próximos meses.