Magnésio influencia produtividade e qualidade do arroz
Não basta olhar apenas para nitrogênio, fósforo e potássio. O equilíbrio nutricional do solo continua sendo decisivo para produtividade e qualidade final da lavoura.
Um estudo publicado na revista científica PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences) mostrou que o magnésio tem papel direto não apenas no desenvolvimento dos grãos de arroz, mas também na qualidade final do alimento consumido. A pesquisa foi conduzida por cientistas da China e do Japão e identificou um transportador responsável pela movimentação do magnésio dentro da planta, chamado OsMGR2. O artigo foi publicado em 2026 com o título “A magnesium efflux transporter required for seed development and eating quality in rice”.
Os pesquisadores observaram que plantas de arroz com falha nesse transportador apresentaram menor movimentação de magnésio das raízes para a parte aérea, além de redução no envio do nutriente para os grãos. O resultado foi uma queda no desenvolvimento das panículas, grãos menores, enrugados, menos transparentes e com menor peso.
Além da produtividade, a qualidade culinária do arroz também foi afetada. Segundo o estudo, os grãos apresentaram menor firmeza, menor viscosidade e pior avaliação em testes de qualidade após o cozimento. Os autores relacionam esse comportamento à função do magnésio na ativação de enzimas ligadas à síntese de amido e proteínas dentro do grão.
O trabalho reforça uma discussão importante dentro da nutrição de plantas: muitas vezes o magnésio recebe menos atenção que cálcio, fósforo ou potássio, mas participa diretamente da fotossíntese, da formação de ATP (a molécula de energia da planta) e do enchimento dos grãos. Segundo os pesquisadores, a deficiência de magnésio reduz a formação de amido, prejudicando peso e qualidade do arroz.
Na prática, isso ajuda a explicar situações comuns observadas no campo, principalmente em áreas com excesso de potássio, solos muito arenosos ou desequilíbrio entre cálcio, magnésio e K. Em muitos casos, o produtor corrige pH e faz adubação potássica intensa, mas acaba reduzindo a absorção de magnésio pela planta devido ao antagonismo entre nutrientes.
Outro ponto importante levantado pela pesquisa é que o magnésio não atua apenas na produtividade. O estudo cita que maiores teores de Mg nos grãos estão associados à melhoria da qualidade de consumo do arroz, especialmente textura e palatabilidade após o cozimento.
Os cientistas destacam ainda que controlar o acúmulo de magnésio nos grãos pode ser importante não apenas para melhorar o valor comercial do arroz, mas também a qualidade nutricional dos alimentos consumidos pela população.
Para quem produz arroz (e até outras culturas de grãos) o estudo deixa um alerta importante: não basta olhar apenas para nitrogênio, fósforo e potássio. O equilíbrio nutricional do solo continua sendo decisivo para produtividade e qualidade final da lavoura.
Uma orientação prática é acompanhar o teor de magnésio nas análises de solo e observar a relação com cálcio e potássio, principalmente em áreas com histórico de altas doses de KCl. Em muitos casos, o uso correto de calcário dolomítico pode ajudar a manter esse equilíbrio e evitar limitações silenciosas de produtividade.