Agricultura

Conilon preocupa com custos no Espírito Santo

Mesmo com expectativa positiva para qualidade, produtores começam a demonstrar preocupação com os custos de produção.

Daniel Vilar
Especialista
3 min de leitura
Conilon
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A colheita do café conilon da safra 2026 começou no Espírito Santo com expectativa de produção ligeiramente menor, mas com qualidade superior em relação ao ciclo passado. As informações foram divulgadas pela agência Reuters Brasil em entrevista com o presidente da Cooabriel, Luiz Carlos Bastianello.

Segundo o presidente da cooperativa, Luiz Carlos Bastianello, as primeiras entregas confirmam uma safra com grãos de melhor padrão, apesar do volume inicial mais moderado. O Espírito Santo é o principal produtor nacional de conilon e concentra grande parte da safra brasileira desse tipo de café.

Mesmo sem uma estimativa definitiva neste início de colheita, o cenário chama atenção porque o mercado acompanha de perto a oferta brasileira. A Companhia Nacional de Abastecimento projeta produção nacional de 22,1 milhões de sacas de café canephora em 2026, volume 6,4% superior ao registrado no ano anterior.

Além da safra, outra preocupação começa a ganhar força no campo: o aumento dos custos de produção. Segundo a cooperativa, a guerra envolvendo o Irã e os impactos logísticos no Estreito de Ormuz vêm pressionando o transporte marítimo global e elevando os preços de fertilizantes e outros insumos agrícolas.

O momento é delicado porque o aumento dos custos acontece justamente em um cenário de queda nos preços do café robusta. De acordo com Bastianello, no mesmo período do ano passado a saca era comercializada próxima de R$ 1.700. Agora, os valores giram em torno de R$ 880 por saca.

Apesar disso, a cooperativa acredita que os impactos mais fortes sobre os custos ainda devem aparecer na safra 2026/27, já que muitos aumentos ocorreram apenas nos últimos meses e ainda não foram totalmente incorporados ao custo atual da produção.

Outro ponto destacado pelo setor é a busca por cafés de maior qualidade. Nos últimos anos, produtores capixabas vêm investindo em melhorias no manejo, pós-colheita e secagem dos grãos para agregar valor ao conilon brasileiro, tradicionalmente utilizado em cafés solúveis e blends para espresso.

Segundo a cooperativa, melhorar a qualidade pode ajudar o produtor a buscar mercados mais valorizados e aumentar a rentabilidade, mesmo em períodos de preços pressionados.

Na prática, isso envolve mudanças no comportamento dentro da propriedade, desde o momento correto da colheita até os cuidados com secagem, armazenamento e separação de lotes.

🔧 Orientação prática:
Se você produz conilon, este pode ser um momento importante para revisar custos e investir em qualidade pós-colheita. Em cenários de preços mais baixos, cafés melhor preparados costumam abrir oportunidades de negociação diferenciada e maior valorização no mercado.

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