Pecuária

19 sorveterias, 15 nota máxima: a cidade italiana que vive de gelato

Vila de pescadores na Calábria tem 19 sorveterias catalogadas, 15 com nota máxima, e é berço do tartufo, primeiro sorvete com Indicação Geográfica Protegida da União Europeia

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
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Numa pequena cidade de pescadores encravada num penhasco da Calábria, na Itália, o cheiro de chocolate derretido se mistura ao salitre do mar Tirreno. É ali, numa vila de pouco mais de 8.700 habitantes, que nasceu o tartufo — sobremesa que hoje coloca Pizzo à frente de destinos badalados no mapa europeu do sorvete.

Um levantamento divulgado pela locadora de veículos Avis apontou Pizzo como o destino mais subestimado da Europa para quem quer comer gelato. O estudo cruzou dados de cidades espalhadas pelo continente, deixando de fora nomes óbvios como Roma, Paris e Londres para dar espaço a lugares menos explorados pelo turismo tradicional.

Como o ranking foi montado

A Avis avaliou os destinos a partir de cinco critérios: número de sorveterias listadas no Tripadvisor, quantidade de estabelecimentos por habitante, nota média das avaliações, percentual de avaliações cinco estrelas e volume de buscas no Google por termos relacionados ao sorvete de cada cidade.

A combinação desses fatores gerou um índice final. Pizzo somou 41,5 pontos, a maior pontuação entre todos os destinos analisados.

A cidade tem 19 sorveterias catalogadas no Tripadvisor, das quais 15 receberam avaliação máxima dos usuários. A proporção chama atenção justamente por se tratar de um município pequeno, sem a infraestrutura turística de destinos italianos mais conhecidos.

A origem do tartufo di Pizzo

O prato que carrega o nome da cidade pelo mundo é o tartufo di Pizzo, sobremesa feita tradicionalmente com sorvete de chocolate e avelã, envolvendo um núcleo cremoso de chocolate derretido, finalizada com uma camada de cacau em pó.

O nome faz referência à trufa, fungo raro que o doce imita na aparência irregular e na cor escura.

A receita tem Indicação Geográfica Protegida reconhecida pela União Europeia — a primeira concedida a um sorvete no continente. A Bar Gelateria Ercole, no centro histórico da cidade, é um dos estabelecimentos mais associados à origem da receita e segue como um dos pontos de referência para quem visita Pizzo em busca do doce original.

O resto do top 10

Copenhague ficou em segundo lugar no ranking, com média de cinco estrelas entre as sorveterias avaliadas e mais de 8 mil buscas mensais pelo termo "Copenhagen ice cream". Na capital dinamarquesa, uma variação tradicional do sorvete vem coberta com guf, cobertura parecida com merengue e bastante popular entre moradores locais.

A região inglesa de Cornualha apareceu na terceira posição, com 116 sorveterias catalogadas no Tripadvisor — o maior número entre os dez primeiros colocados da lista.

Málaga, na Espanha, completou o quarto lugar, com uma tradição local de sorvete feito a partir do vinho fortificado que dá nome à cidade.

O restante do top 10 reúne Munique, Valletta, Cracóvia, San Gimignano, Reykjavík e Nice, intercalando destinos do norte e do sul europeu. A lista foi construída justamente para fugir dos roteiros mais óbvios de sorvete no continente, e a vitória de uma vila calabresa de menos de 9 mil habitantes reforça esse recorte.

Top 10 completo

1. Pizzo, Itália

2. Copenhague, Dinamarca

3. Cornualha, Inglaterra

4. Málaga, Espanha

5. Munique, Alemanha

6. Valletta, Malta

7. Cracóvia, Polônia

8. San Gimignano, Itália

9. Reykjavík, Islândia

10. Nice, França

Por que isso importa para quem trabalha com leite e derivados

O sorvete é um dos produtos de maior valor agregado da cadeia do leite. Uma sobremesa com Indicação Geográfica Protegida, como o tartufo di Pizzo, mostra como tradição, qualidade e identidade regional podem transformar um produto simples em atração turística e fonte de renda para toda uma cidade.

Para o produtor de leite brasileiro, o exemplo serve de inspiração: queijos, doces e sorvetes com selo de origem e receita típica têm potencial para conquistar mercados dispostos a pagar mais por autenticidade.

Se você produz leite ou trabalha com derivados, vale estudar o caminho das Indicações Geográficas. O Brasil já tem dezenas de produtos com selo de origem reconhecido — queijos, cafés, vinhos e doces. Uma receita típica da sua região, feita com leite de qualidade e identidade local, pode virar um produto diferenciado, com preço melhor e apelo turístico. Procure o Sebrae, a Emater ou o Ministério da Agricultura para entender como iniciar o processo de registro de uma Indicação Geográfica na sua região.

Fonte: Milkpoint.

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