Agricultura

Ilya Espino de Marotta é a primeira mulher a comandar o Canal do Panamá

Engenheira com mais de 40 anos de casa assume a liderança da via em meio a desafios como escassez de água, diversificação de negócios e transição geracional

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
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O Canal do Panamá tem uma nova líder — e ela faz história. Ilya Espino de Marotta se tornou a primeira mulher a assumir o comando da via, uma infraestrutura estratégica para o comércio mundial.

Sua chegada ocorre em um momento delicado. O Canal enfrenta o desafio de garantir a água que sustenta suas operações, diversificar seus negócios e manter sua competitividade.

Quem é Ilya Espino de Marotta

Ela tem mais de 40 anos de trajetória no Canal do Panamá. Conhece de perto um dos projetos mais importantes da infraestrutura panamenha.

A engenheira liderou as obras de ampliação inauguradas em junho de 2016. Essas obras acrescentaram uma terceira via, permitindo o trânsito de navios com até três vezes a carga daqueles que atravessam as eclusas centenárias.

Hoje, esse segmento representa mais de 50% das receitas do Canal. Pela via passa entre 3% e 5% do comércio mundial.

O principal desafio: a água

Para Espino de Marotta, a mudança climática é o maior desafio enfrentado pelo Canal. Embora seja um fenômeno global, seu impacto sobre a via é direto: a operação depende da água e das chuvas.

O Canal é abastecido pelos lagos artificiais de Gatún, construído em 1913, e Alhajuela, de 1935. Nas últimas décadas, sua bacia hidrográfica sofreu fortes secas associadas ao El Niño. Isso obrigou a reduzir tanto o número de travessias quanto o calado dos navios — o calado indica quanto do navio fica submerso.

Atualmente, a via permite 34 travessias por dia, ante uma média de 36, e mantém o calado em 48 pés, frente ao máximo de 50 pés.

A pressão sobre o recurso também se reflete nas precipitações. Entre maio e agosto, o déficit de chuvas na bacia hidrográfica do Canal chegou a 34%. A previsão é de que a situação piore durante o verão, entre janeiro e abril.

O projeto do lago do Rio Indio

Nesse cenário, o projeto do lago do Rio Indio ocupa um lugar central. Trata-se de um novo reservatório de US$ 1,5 bilhão, que busca garantir água por 50 anos tanto para o Canal quanto para metade dos quatro milhões de habitantes do Panamá que são abastecidos pelos reservatórios da via.

A construção está prevista para ocorrer entre 2028 e 2031. A expectativa é que o reservatório entre em operação em 2032.

No entanto, o projeto enfrenta resistência de algumas pequenas comunidades rurais que desapareceriam devido à inundação necessária para formar o lago.

A aposta na diversificação

O segundo desafio está em ampliar as fontes de crescimento do Canal. "Diversificar é importante" porque a infraestrutura destinada ao trânsito de navios "tem um limite", explicou Espino de Marotta.

A estratégia busca fazer com que o Panamá continue crescendo como centro logístico e de transbordo. Atualmente, 72% dos navios porta-contêineres que atravessam o Canal passam por um dos dois portos localizados ao redor da via.

A partir dessa conexão, novos projetos de infraestrutura estão sendo planejados: dois portos, com investimentos estimados em US$ 2,6 bilhões, e um gasoduto de pelo menos US$ 4 bilhões. Ambos estão na etapa de pré-qualificação para a concessão. A isso se soma um corredor logístico.

A ideia, explicou Espino de Marotta, é "aumentar o fluxo de mercadorias no país" e "liberar capacidade do Canal para abri-la a outros segmentos".

A expectativa é que a implementação desses projetos possa elevar em até 25% as receitas da via. No ano fiscal de 2025, o Canal registrou receitas de US$ 5,70 bilhões, 14,4% acima do ano anterior.

A transição geracional

O terceiro desafio está dentro da organização. O Canal enfrenta "um alto nível de aposentadorias", situação que Espino de Marotta considera "um desafio, mas também uma grande oportunidade" para incorporar "novas iniciativas e ideias".

A nova administradora terá de fortalecer as equipes responsáveis por quatro projetos que serão determinantes para a próxima etapa do Canal. "Temos de fortalecer quatro equipes muito importantes para a execução das obras que estão por vir: o projeto do lago Rio Indio, os portos, o gasoduto e o corredor logístico", afirmou.

Alcance global

O Canal do Panamá conecta 180 rotas marítimas e 1.920 portos em 170 países. Seus principais corredores são Costa Leste dos EUA–Ásia, Costa Leste dos EUA–Costa Oeste da América do Sul e Europa–Costa Oeste da América do Sul.

Com sua chegada, Espino de Marotta não apenas marca um momento histórico na trajetória do Canal. Ela também assume o comando de uma infraestrutura que busca crescer e diversificar suas receitas enquanto enfrenta uma pressão cada vez maior sobre o recurso que torna sua operação possível: a água.

Para quem exporta ou importa pelo Canal do Panamá, vale acompanhar as restrições de calado e o número de travessias diárias divulgadas pela autoridade do Canal. Em períodos de seca, a redução de trânsito pode aumentar prazos de entrega e custos de frete. Planeje suas janelas de embarque com antecedência e converse com seu armador sobre rotas alternativas. Acompanhe também o andamento do projeto do lago do Rio Indio: a entrada em operação do reservatório, prevista para 2032, deve trazer mais previsibilidade para o tráfego na via.

Fonte: Forbes.

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