Chuvas param moagem e preços do etanol sobem em SP
Precipitações suspenderam o trabalho no campo, limitaram a oferta e deixaram agentes preocupados com o volume de cana a processar até o fim da safra
Se você acompanha o mercado de etanol, já deve ter notado: os preços do anidro e do hidratado seguem em alta no estado de São Paulo. O motivo principal é o tempo.
Segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), as chuvas nas regiões produtoras do Centro-Sul brasileiro suspenderam as atividades de campo. Sem colheita, a oferta de cana diminui — e isso limita a produção de etanol, mantendo as cotações em elevação.
O que as chuvas provocam
A chuva no campo não é apenas um contratempo. Ela paralisa a colheita da cana, atrasa o transporte e reduz o ritmo de processamento nas usinas.
Com menos cana entrando, menos etanol é produzido. Quando a oferta cai e a demanda continua firme, os preços sobem. É o movimento que o Cepea registra no mercado paulista.
A preocupação que vem depois
O problema não é só o agora. Pesquisadores do Cepea destacam que a previsão de mais chuvas para os próximos dias preocupa os agentes do setor.
São duas inquietações principais. A primeira é quanto ao volume de cana-de-açúcar que ainda deve ser processado até o fim da moagem. Se as chuvas se prolongarem, parte da safra pode ficar comprometida ou ser processada fora do ponto ideal.
A segunda é quanto à quantidade de produto que estará em estoque nos próximos meses. Com as atividades paralisadas e atrasadas, o abastecimento futuro fica incerto — e isso pode manter os preços firmes por mais tempo.
Por que isso importa para você
Se você é produtor de cana, o momento pede atenção redobrada. Cada dia de chuva é um dia sem colheita, e o atraso se acumula ao longo da safra. Acompanhe o cronograma da usina e verifique se há mudanças nas programações de entrega.
Se você é produtor de etanol ou compra o combustível, saiba que a oferta restrita tende a manter os preços em alta no curto prazo. O cenário só deve mudar quando o tempo firmar e a moagem voltar ao ritmo normal.
Para quem usa etanol como combustível, a tendência é de preço mais alto na bomba enquanto a oferta estiver limitada.
O que fazer agora
O primeiro passo é acompanhar as previsões meteorológicas da sua região. Saber quando vem a próxima chuva ajuda a planejar a janela de colheita e transporte.
O segundo é verificar com a usina ou cooperativa como está o cronograma de recebimento. Se houver atraso, negocie prazos e programe suas entregas com base nas condições reais do campo.
O terceiro é ficar de olho nas cotações. Se você tem cana para entregar, avalie se vale antecipar o que for possível nas janelas secas, antes que novas chuvas cheguem.
Antes de programar a colheita, consulte os boletins do Cepea e as previsões do INMET ou do Climatempo para a sua região. Em semanas de chuva, colher cana com excesso de umidade pode prejudicar o rendimento industrial e a qualidade da matéria-prima. Se a janela seca abrir, priorize as áreas mais maduras. E fique atento aos estoques das usinas: quando a moagem atrasa, o etanol disponível no mercado fica mais restrito, e quem tem produto para entregar negocia em posição mais favorável.