Oferta de manga cresce e preços de palmer e tommy recuam no Semiárido
Calor acelera maturação das frutas e aumenta volume disponível; exportações lentas para a Europa pressionam a palmer, enquanto embarques aos EUA seguram a tommy
Se você produz manga no Semiárido, o momento pede atenção. As cotações das variedades palmer e tommy recuaram nas praças acompanhadas pelo Hortifrúti do Cepea. O motivo é o aumento da oferta nas regiões produtoras.
Para a palmer, o escoamento segue limitado pelo ritmo ainda lento das exportações à Europa. Com menos saída para o mercado externo, maior volume da variedade permanece disponível no mercado doméstico — e isso mantém os preços mais baixos.
Já para a tommy, os embarques aos Estados Unidos continuam em bom ritmo. Isso favorece o escoamento da produção. Mesmo assim, o avanço da oferta pressiona as cotações para baixo.
De acordo com o Cepea, as temperaturas elevadas no Semiárido também vêm contribuindo para esse cenário. O calor acelera a maturação das frutas e antecipa a entrada de novos volumes no mercado.
Na prática, isso significa que mais fruta chega ao mesmo tempo, aumentando a competição entre produtores e derrubando os preços.
O que esperar das próximas semanas
A equipe de Hortifrúti do Cepea destaca que, para as próximas semanas, a disponibilidade de ambas as variedades deverá continuar aumentando.
Nesse cenário, o ritmo das exportações será fundamental para garantir o melhor escoamento da produção e favorecer preços mais atrativos para o produto no mercado interno. Se a Europa voltar a comprar palmer em volume maior, o quadro pode melhorar. Se não, a pressão sobre os preços deve continuar.
Por que isso importa para você
Se você tem manga para colher ou já colhida, o excesso de oferta é o principal inimigo do preço. Quanto mais fruta disponível no mercado interno, menor o valor pago ao produtor.
Por outro lado, o bom ritmo de embarques para os Estados Unidos na tommy é uma notícia positiva. Mostra que há demanda externa ativa. O problema é que o volume ofertado está crescendo mais rápido do que a capacidade de escoamento.
O que você pode fazer agora
O primeiro passo é acompanhar as cotações diárias da sua região e comparar com os valores divulgados pelo Cepea. Não negocie no escuro.
O segundo é verificar com o seu comprador ou exportador qual o volume programado para embarque nas próximas semanas. Se houver espaço para ampliar as exportações, avalie antecipar parte da colheita.
O terceiro é cuidar da qualidade das frutas que ficarem no mercado interno. Em um cenário de oferta alta, fruta bem classificada, embalada e conservada se destaca e pode conseguir preço melhor.
Antes de vender, compare o preço oferecido com a média das últimas semanas. Se a oferta estiver crescendo e o preço caindo, avalie se vale a pena fechar negócio agora ou esperar. Mas atenção: manga madura não espera. Se o calor está acelerando a maturação, fruta parada no pé pode virar prejuízo. Nesse caso, a prioridade é escoar rápido. Converse também com cooperativas e centrais de abastecimento para buscar alternativas de venda, como feiras, mercados institucionais ou programas de compra pública. Ter mais de um canal de venda é a melhor forma de não ficar refém de um único comprador.