Sustentabilidade

Novo revestimento reduz perdas de ureia no solo

O revestimento foi produzido com poliuretano derivado do óleo de mamona, uma matéria-prima renovável, biodegradável e abundante no Brasil.

Daniel Vilar
Especialista
4 min de leitura
ureia
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Pesquisadores da Embrapa, USP, Unesp e Universidade de Ribeirão Preto desenvolveram uma nova tecnologia capaz de aumentar a eficiência da ureia, o fertilizante nitrogenado mais utilizado na agricultura brasileira. O diferencial está em um revestimento biodegradável produzido com óleo de mamona e nanoargila mineral, que libera o nitrogênio de forma lenta e controlada no solo.

Na prática, isso significa menos desperdício de fertilizante, maior aproveitamento pelas plantas e redução das perdas ambientais causadas pela volatilização da amônia e emissão de gases de efeito estufa.

Os testes foram realizados com capim-piatã em casa de vegetação e mostraram resultados expressivos. Enquanto a ureia comum liberou mais de 85% do nitrogênio em apenas quatro horas, a ureia revestida com polímero derivado de óleo de mamona retardou a liberação para cerca de 70% em nove dias. Já quando os pesquisadores adicionaram apenas 5% de nanoargila montmorilonita ao revestimento, a liberação caiu drasticamente: somente 22% do nitrogênio foi liberado no mesmo período.

Segundo os pesquisadores, a nanoargila funciona como uma “barreira inteligente”. Ela reduz a entrada de água no grânulo e ainda interage quimicamente com o nitrogênio, segurando o nutriente por mais tempo e liberando gradualmente conforme a necessidade da planta.

Esse ponto é importante porque a ureia possui alta solubilidade no solo. Em condições normais, grande parte do nitrogênio pode ser perdida rapidamente para a atmosfera ou lixiviada, diminuindo a eficiência da adubação e elevando os custos da produção.

Nos experimentos realizados ao longo de 135 dias, os fertilizantes revestidos apresentaram maior produção de massa seca e absorção total de nitrogênio significativamente superior em comparação à ureia convencional. Em alguns casos, a absorção do nutriente pelas plantas chegou ao dobro do tratamento comum.

Além do ganho agronômico, a pesquisa chama atenção para a sustentabilidade. O revestimento foi produzido com poliuretano derivado do óleo de mamona, uma matéria-prima renovável, biodegradável e abundante no Brasil. Isso ajuda a reduzir o impacto ambiental e abre caminho para uma nova geração de fertilizantes mais eficientes.

Outro ponto estratégico é a dependência brasileira de fertilizantes importados. Atualmente, o Brasil importa mais de 85% dos fertilizantes que utiliza. Segundo os pesquisadores da Embrapa, tecnologias que aumentem a eficiência do uso do nitrogênio podem ajudar a reduzir custos e melhorar a segurança da produção agrícola nacional.

🔧 Na prática, o produtor deve ficar atento às tecnologias de fertilizantes de liberação controlada, principalmente em sistemas intensivos de pastagem, milho e cereais. Em áreas com maior risco de perdas por volatilização ou chuvas intensas, esse tipo de tecnologia pode aumentar o aproveitamento do nitrogênio e reduzir aplicações extras ao longo do ciclo.

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