Startup capixaba transforma CO₂ em fertilizante
O CO₂ capturado em setores como siderurgia, mineração, energia e agronegócio alimenta o cultivo de microalgas, que posteriormente são transformadas em bioinsumos agrícolas.
O Espírito Santo começou a ganhar espaço em uma das áreas mais estratégicas do agro moderno: a transformação de carbono industrial em bioinsumos agrícolas. A startup capixaba GreenWay Environment & Climate desenvolveu uma tecnologia que captura dióxido de carbono (CO₂) emitido por indústrias e converte esse material em fertilizante biológico à base de microalgas.
A proposta conecta dois desafios cada vez mais presentes no campo e na indústria: a redução das emissões de carbono e a dependência brasileira de fertilizantes importados.
Segundo a empresa, a tecnologia funciona dentro de um sistema circular. O CO₂ capturado em setores como siderurgia, mineração, energia e agronegócio alimenta o cultivo de microalgas, que posteriormente são transformadas em bioinsumos agrícolas. O objetivo é criar uma cadeia mais local, sustentável e menos dependente do mercado externo.
“O nosso propósito é transformar emissão em ativo”, explica Israel Pestana, cofundador e diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da GreenWay.
O projeto ganhou força após a aprovação em primeiro lugar no edital Fapes/Seama nº 02/2025, voltado a negócios de impacto socioambiental. A startup recebeu investimento de R$ 200 mil do Governo do Espírito Santo, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo.
Na prática, a iniciativa surge em um momento sensível para o agro brasileiro. Hoje, o Brasil importa entre 85% e 90% dos fertilizantes que consome. A recente instabilidade geopolítica envolvendo rotas globais de fertilizantes reacendeu o alerta sobre a vulnerabilidade do setor, especialmente para produtores que dependem fortemente de adubos nitrogenados e fosfatados.
Para culturas importantes no Espírito Santo, como café, cacau, frutas e hortaliças, a oscilação dos preços dos fertilizantes impacta diretamente os custos de produção. Nesse cenário, soluções produzidas localmente ganham relevância.
Além do uso agrícola, a tecnologia também dialoga com o mercado de carbono e com as novas exigências ambientais internacionais. Indústrias exportadoras enfrentam pressão crescente para reduzir emissões e comprovar práticas sustentáveis nas cadeias produtivas.
Segundo a GreenWay, a próxima etapa será validar a tecnologia dentro de ambientes industriais reais e ampliar os testes agronômicos em diferentes culturas agrícolas. A empresa também busca parcerias com indústrias emissoras de carbono e investidores ligados ao setor de climate tech.
Outro ponto destacado pela startup é o potencial de adaptação da tecnologia para diferentes regiões agrícolas brasileiras, permitindo produção regionalizada de bioinsumos e redução de custos logísticos.
🔧 Orientação:
Se você trabalha com café, fruticultura ou horticultura, vale acompanhar o avanço dos bioinsumos produzidos a partir de microalgas. Além da possibilidade de reduzir dependência de fertilizantes importados, esse tipo de tecnologia pode ganhar espaço nos próximos anos em programas de agricultura sustentável, crédito verde e mercados ligados à descarbonização da produção agrícola.