Sustentabilidade

Maranhão desenvolve hamburguer de babaçu

O objetivo foi transformar resíduos do processamento do babaçu em alimentos de maior valor agregado

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
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O babaçu, símbolo tradicional do extrativismo no Maranhão, ganhou um novo espaço no mercado de alimentos naturais e veganos. Pesquisadores da Embrapa, universidades federais e quebradeiras de coco da Amazônia Maranhense desenvolveram um hambúrguer vegetal e uma farinha de amêndoas feitos a partir do reaproveitamento do bagaço da amêndoa do babaçu — material que antes era usado principalmente como ração animal.

A inovação une ciência, sustentabilidade e geração de renda para comunidades tradicionais. O projeto envolveu cooperativas e associações de quebradeiras de coco em municípios como Itapecuru-Mirim, Anajatuba e Chapadinha, com apoio da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ), Rede ILPF e instituições de pesquisa como Embrapa Maranhão, Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e Universidade Federal do Ceará (UFC).

O objetivo foi transformar resíduos do processamento do babaçu em alimentos de maior valor agregado, aproveitando um mercado que cresce rapidamente no Brasil: produtos naturais, ricos em proteína e voltados para consumidores veganos ou com restrição a glúten e lactose.

O destaque ficou para o hambúrguer vegetal desenvolvido com farinha da amêndoa do babaçu, casca de banana e farinha de arroz. Segundo os pesquisadores, o alimento alcançou 13,17% de proteína por 100 gramas de produto, índice considerado adequado para esse tipo de alimento. Além disso, não utiliza conservantes e pode ser armazenado congelado por até seis meses.

A farinha utilizada não vem do tradicional mesocarpo do babaçu, mas sim do resíduo restante após a extração do óleo da amêndoa. Com técnicas simples de torra e processamento adaptadas à realidade das agroindústrias comunitárias, o material passou a ser aproveitado na produção de biscoitos, bolos, pães, mingaus, sorvetes e agora também hambúrgueres vegetais.

Outro ponto importante do projeto foi o equilíbrio entre conhecimento científico e saber tradicional. As próprias quebradeiras participaram do desenvolvimento das formulações, dos testes e dos treinamentos sobre boas práticas de fabricação e segurança alimentar.

Além da parte nutricional, os produtos passaram por análises microbiológicas, físico-químicas e testes sensoriais. Segundo os pesquisadores, os consumidores aprovaram sabor, textura e aroma dos novos alimentos, principalmente em feiras realizadas em São Luís.

Para as comunidades envolvidas, o impacto vai além da alimentação. O projeto ajuda a fortalecer a autonomia econômica das mulheres quebradeiras e amplia as possibilidades de comercialização dos produtos da sociobiodiversidade maranhense.

🔧 Na prática, o trabalho mostra como resíduos agroindustriais podem virar novos produtos de valor agregado dentro da própria comunidade rural. Para cooperativas, agroindústrias familiares e grupos de produtores, o aproveitamento integral das matérias-primas pode reduzir desperdícios, gerar novas fontes de renda e abrir espaço em mercados que valorizam sustentabilidade, origem regional e alimentos naturais.

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