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Brasil e EUA ampliam vendas de etanol

No Brasil, a expectativa é de produção recorde de 41,4 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27, com crescimento estimado em 4 bilhões de litros sobre a temporada anterior.

Daniel Scotá
Especialista
3 min de leitura
Etanol
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Os Estados Unidos e o Brasil, maiores produtores mundiais de etanol, esperam forte aumento nas exportações do biocombustível em 2026. As informações foram divulgadas pela agência Reuters e refletem a crescente busca global por alternativas energéticas em meio às tensões no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo no Oriente Médio.

Segundo a reportagem, os embarques americanos de etanol cresceram 20% no primeiro trimestre deste ano, alcançando 638 milhões de galões. Já no Brasil, a consultoria Datagro estima que as exportações podem mais que dobrar na safra 2026/27, passando de 1 bilhão para 2,2 bilhões de litros.

O movimento é impulsionado principalmente por países asiáticos, que estão aumentando a mistura de etanol na gasolina para reduzir a dependência de combustíveis fósseis e ampliar a segurança energética. Segundo Plinio Nastari, analista-chefe da Datagro, muitos desses países já produzem parte do etanol consumido, mas precisarão importar volumes adicionais para atender à nova demanda.

Para o produtor rural, esse cenário pode representar uma pressão positiva sobre os preços do milho e da cana-de-açúcar. Isso porque a expansão da produção de etanol aumenta a demanda por matéria-prima, estimulando tanto o setor sucroenergético quanto os agricultores ligados ao milho.

No Brasil, a expectativa é de produção recorde de 41,4 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27, com crescimento estimado em 4 bilhões de litros sobre a temporada anterior. Nos Estados Unidos, a associação Renewable Fuels Association projeta a adição de 1 bilhão de galões de capacidade produtiva nos próximos 12 a 18 meses.

A discussão sobre a expansão do mercado global de etanol não é nova. Ainda em 2007, os então presidentes George W. Bush e Luiz Inácio Lula da Silva discutiram uma parceria entre Brasil e Estados Unidos para fortalecer o comércio internacional do biocombustível.

Além da questão econômica, o avanço do etanol também está ligado à preocupação mundial com segurança energética. Especialistas do setor afirmam que muitos governos querem reduzir a dependência do petróleo do Oriente Médio, especialmente diante das incertezas geopolíticas da região.

Na prática, isso significa que o mercado de biocombustíveis pode ganhar ainda mais relevância nos próximos anos. Para quem produz cana ou milho, acompanhar o avanço das exportações e das políticas de mistura de etanol em outros países pode ajudar no planejamento da próxima safra e nas decisões de comercialização.

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