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Agro Brasil e EUA apostam em tecnologia

No setor de proteínas, a oferta de gado também está entre os principais pontos de atenção.

Daniel Vilar
Especialista
3 min de leitura
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São Paulo / Chicago – Em meio a preocupações com volatilidade de preços, custos de insumos, mudanças climáticas e tensões comerciais, grandes empresários do agronegócio americano e brasileiro defenderam, em declarações recentes, maior investimento em tecnologia, sustentabilidade e políticas de longo prazo para garantir a produção de alimentos.

No Brasil, o CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, tem enfatizado o protagonismo brasileiro. Em eventos do setor, ele destacou que “o futuro da energia e o futuro da alimentação têm sotaque brasileiro”, defendendo metodologias nacionais de cálculo de emissões que considerem a capacidade de captura de carbono das pastagens e o papel do país como fornecedor essencial para a segurança alimentar mundial.

Rodrigo Bonato, vice-presidente de vendas e marketing da John Deere na América Latina, pediu união e visão de Estado. “Precisamos nos unir para ter um plano de governo de longo prazo, não só o programa anual do Plano Safra”, afirmou. Segundo ele, o setor precisa se comunicar melhor para fora: “É o agro que define o tamanho do nosso País, não o contrário.”

Outros executivos brasileiros reforçam a necessidade de avançar além do discurso. Em discussões sobre sustentabilidade, representantes ligados a empresas como Nestlé e instituições financeiras apontam que a imagem do agro brasileiro ainda sofre com a questão do desmatamento e que é hora de manter a produtividade reduzindo o impacto ambiental por meio de tecnologia. A SLC Agrícola e grupos como o Bom Futuro (liderado por Eraí Maggi Scheffer) continuam entre os maiores em área plantada, ilustrando a escala da produção nacional.

Do lado americano, o foco tem sido na recuperação de margens, custos elevados e competitividade. Executivos de empresas de equipamentos e processadoras destacam pressões de preços de insumos, mão de obra e logística. A John Deere, por exemplo, tem investido em soluções de precisão para aumentar eficiência em operações no Brasil e nos EUA, com o CEO John May ressaltando o potencial de crescimento sustentável da produção agrícola brasileira para atender à demanda global de alimentos.

No setor de proteínas, a JBS – com forte presença nos dois países – projeta melhora nas margens americanas de carne bovina com a normalização do fluxo de gado e sinergias operacionais. Wesley Batista Filho, que assumirá o cargo de CEO global, tem apontado expectativas de recuperação gradual da oferta de gado nos EUA a partir de 2027.

Especialistas e líderes dos dois países coincidem em pontos comuns: a necessidade de políticas estáveis, redução de barreiras comerciais, investimento em infraestrutura logística e adoção de práticas regenerativas e tecnologias digitais. Enquanto o Brasil consolida posição como potência exportadora de grãos e proteínas, os produtores americanos enfrentam desafios de competitividade em algumas commodities, com projeções de margens apertadas em culturas como milho e soja em determinados períodos.

O consenso entre os grandes empresários é claro: o agronegócio dos dois maiores players das Américas continuará central para alimentar uma população mundial em crescimento, mas só avançará de forma sustentável com diálogo, inovação e estratégias de médio e longo prazo.

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