Vendas de café no varejo voltam a crescer em 2026
Consumo sobe 2,29% de janeiro a agosto, impulsionado pela queda nos preços; indústria projeta cautela com El Niño no fim do ano
Se você produz café, uma notícia positiva vem do mercado interno. As vendas de café no varejo brasileiro voltaram a crescer em 2026, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) nesta terça-feira (22).
Nos oito primeiros meses do ano, de janeiro a agosto, o crescimento foi de 2,29% na comparação com 2025. No total, foram vendidas cerca de 13,69 milhões de sacas, contra 13,38 milhões no mesmo período do ano anterior. O aumento representa um alívio para o setor, revertendo em parte a queda de 5,4% no consumo registrado no mesmo período em 2025 — o primeiro tombo anual desde 2022.
O crescimento é puxado por um salto de 4,65% nas vendas acumuladas durante o segundo quadrimestre, com um total de cerca de 7 milhões de sacas. Esse movimento confirma uma tendência que se mostrava mais tímida no início do ano. Nos primeiros quatro meses, de janeiro a abril, o acumulado foi de 2,44%.
A alta é uma resposta direta à redução dos preços no varejo, segundo o presidente da ABIC, Pavel Cardoso.
"Desde janeiro, quando se avizinhava a expectativa de uma safra muito grande, as cotações vieram abaixo, tanto de arábica quanto de conilon robusta. E as indústrias, naturalmente, transferiram esses preços para o varejo", afirma.
De acordo com a associação, o preço médio caiu em todas as categorias. O destaque fica para o café tradicional/extraforte, que despencou 21,22%, de R$ 62,83 para R$ 49,50 por quilo.
O café solúvel também registrou queda expressiva: passou de R$ 252,36 para R$ 203,64 por quilo, uma redução de 19,31%.
A ABIC também indica uma melhora no abastecimento tanto do arábica quanto do canéfora. As duas variedades saíram da categoria "oferta seletiva" para a "normalidade" no final de maio de 2026.
No ano passado, o café foi afetado pela alta dos preços e por problemas na oferta global. Apesar da queda nas vendas, o faturamento da indústria de café torrado — formada por cerca de 1.050 empresas no país — alcançou R$ 46,24 bilhões em 2025, uma alta de 25,6% frente a 2024.
Até agora, em 2026, o maior crescimento nas vendas se deu em julho, que registrou alta de 5,8% na comparação com o mês anterior.
O movimento acompanha uma tendência histórica do período, em que há um consumo maior por conta da chegada do inverno e da queda das temperaturas.
Apesar dos bons números, a indústria observa com cautela o comportamento dos próximos meses.
"Sabendo que nós temos um El Niño bastante impactante e com indícios de asseveramento no último trimestre, a indústria observa com bastante cautela o comportamento desses próximos quatro meses", comenta Cardoso.
Segundo ele, podem ser necessários ajustes em caso de volatilidade no último quadrimestre do ano. Mas a expectativa é de crescimento contínuo nas vendas.
Se você produz café, o crescimento do consumo interno é uma boa notícia. Significa que há demanda firme no mercado brasileiro, além das exportações. E a queda nos preços no varejo mostra que a indústria está repassando a redução das cotações ao consumidor, o que estimula o consumo e mantém o mercado aquecido.
Por outro lado, a cautela com o El Niño é um alerta. Se o fenômeno afetar a safra 2027/28, a oferta pode cair e os preços podem voltar a subir. Nesse cenário, o consumo pode recuar novamente.
Vale acompanhar os dados da ABIC e do Cepea sobre consumo e preços. Eles ajudam a entender para onde o mercado está indo e a planejar a venda com mais segurança. Se você tem café armazenado, o cenário de consumo aquecido favorece a negociação. Se está plantando, fique atento ao clima — o mesmo El Niño que preocupa a indústria pode afetar a sua lavoura.
E lembre-se: o mercado interno é tão importante quanto a exportação. Um consumidor brasileiro bem informado e com acesso a café de qualidade é um cliente fiel. Investir em qualidade e origem vale tanto para o mercado externo quanto para o interno. Nos próximos 30 dias, acompanhe os boletins da ABIC e os preços divulgados pelo Cepea. Se o consumo continuar crescendo e o El Niño não afetar a safra, o cenário é favorável para negociar. Se houver sinal de queda na oferta, avalie segurar parte do lote.