Diesel a R$ 7,31: o peso no seu bolso e na safra
Combustível sobe mais de 6% em dois meses, pressiona custos de produção e frete, e falta produto em algumas regiões do Rio Grande do Sul
A alta do preço do diesel tem pressionado os custos da produção agropecuária e do transporte no Brasil. Nos últimos dois meses, o combustível acumulou aumento superior a 6%, passando de R$ 6,88 para R$ 7,31 por litro, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP). O avanço ocorre em um período importante para o planejamento e a implantação da próxima safra. Se você depende de máquinas e caminhões para tocar a lavoura e escoar a produção, esse cenário exige atenção redobrada.
O impacto no campo
No Rio Grande do Sul, produtores também relatam dificuldades para encontrar o combustível nas últimas semanas, além da instabilidade nos preços. Segundo Fernando Rechsteiner, produtor rural e diretor da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), o diesel representa uma parcela significativa dos custos das lavouras, com impacto nas operações diárias e no frete.
A pressão também chega à comercialização de alimentos. O feirante Júlio César Oliveira, que transporta hortaliças do interior até a capital paulista, estima um gasto adicional de quase R$ 400 por semana com combustível. Esse custo acaba sendo parcialmente repassado aos consumidores.
A subvenção federal
O aumento ocorre mesmo com a subvenção federal de R$ 2,12 por litro destinada a produtores e importadores de diesel. A medida, por sua vez, tem impacto nas contas públicas. De acordo com o economista e consultor Alexandre Schwartsman, os subsídios contribuem para ampliar o déficit fiscal e acelerar o crescimento da dívida pública.
O cenário internacional
O cenário também está relacionado à redução da oferta internacional de combustíveis. Em outubro, a Agência Internacional de Energia alertou para a queda dos estoques e as restrições de oferta em meio aos conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio. A dependência brasileira da importação de diesel amplia a exposição do país às oscilações do mercado externo. Ou seja: o preço do diesel no Brasil não depende só da produção nacional, mas também do que acontece lá fora.
O efeito na economia
Além do impacto direto no campo, a alta do combustível pressiona outros setores da economia, especialmente em razão da dependência brasileira do transporte rodoviário. O aumento dos custos logísticos tende a se refletir nos preços de produtos e serviços. No setor de transporte de mudanças, por exemplo, empresas relatam dificuldades para absorver os reajustes, sobretudo em trajetos mais longos.
Por que isso importa para você
Se você produz no campo, o diesel está em praticamente todas as etapas da sua atividade: preparo do solo, plantio, tratos culturais, colheita e transporte da produção até o armazém ou a indústria. Um aumento de 6% no litro pode parecer pequeno, mas, em uma propriedade que consome milhares de litros por safra, o impacto no orçamento é significativo.
Além disso, a falta do produto em algumas regiões, como relatado no Rio Grande do Sul, pode atrasar operações e comprometer o cronograma da safra. A instabilidade nos preços também dificulta o planejamento financeiro.
No transporte de alimentos, o repasse ao consumidor é quase inevitável. Isso pressiona a inflação e reduz o poder de compra das famílias.
🔧 Dica prática para você
Se você depende do diesel na operação, comece a planejar o abastecimento com antecedência. Evite deixar para comprar combustível na última hora, especialmente em regiões onde há relatos de desabastecimento. Calcule o consumo por etapa da safra e negocie volumes maiores com fornecedores ou cooperativas para conseguir melhores condições.
Fique atento à subvenção federal de R$ 2,12 por litro: verifique se o benefício está sendo aplicado corretamente na sua compra. E mantenha as máquinas reguladas e em bom estado de manutenção, porque motor desregulado consome mais.
Se você transporta produção, revise as rotas e avalie a possibilidade de consolidar cargas para reduzir viagens. E, se possível, inclua o custo do diesel no cálculo do preço final do seu produto desde já. Assim você evita surpresas no fechamento das contas.
Fonte: Milkpoint.