Irrigação e fertirrigação: como calcular a água e aplicar o adubo
Entenda por que a lâmina de água varia por cultura e por que a fertirrigação correta exige dividir o ciclo em três etapas para não entupir os gotejadores
A quantidade diária de água necessária para a lavoura e a ordem correta de aplicação de fertilizantes são dúvidas frequentes de quem trabalha com irrigação. Para responder às perguntas, é preciso olhar para dois pontos: como calcular a lâmina de água em milímetros (mm) e como manejar o sistema para aplicar a nutrição junto com a rega sem prejudicar os equipamentos.
De onde vem o número de milímetros diários
A quantidade diária de água em milímetros, chamada tecnicamente de lâmina de irrigação, varia diretamente conforme quatro fatores: a cultura, o estádio de desenvolvimento da planta, a textura do solo e o clima local. Ou seja, a resposta para "quantos milímetros por dia" depende do que você planta, em que fase a planta está, do tipo de solo da sua área e das condições de clima naquele momento.
O cálculo é feito por meio da Evapotranspiração da Cultura (ETc). A fórmula é simples de entender: a ETc é o resultado da multiplicação da Evapotranspiração de Referência (ETo) pelo Coeficiente de Cultura (Kc). A ETo representa a demanda de água da atmosfera, ou seja, o quanto o clima "puxa" de água. O Kc é um número que varia para cada cultura e para cada fase de desenvolvimento, indicando o quanto aquela planta específica consome em relação à referência.
Onde encontrar os dados
Os dados de evapotranspiração de referência (ETo) e os coeficientes de cultura (Kc) são disponibilizados por estações meteorológicas regionais, como INMET, Agritempo e Embrapa. Também podem ser encontrados em boletins técnicos estaduais ou em softwares de manejo de irrigação.
Na prática, você não precisa fazer conta do zero. Basta acessar a plataforma da sua região, conferir a ETo do dia e multiplicar pelo Kc da sua cultura no estádio atual. O resultado é a lâmina de água que sua lavoura precisa naquele dia.
A fertirrigação: irrigar junto com a nutrição?
A segunda pergunta é sobre fertirrigação. Tecnicamente, você deve fazer a irrigação junto com a nutrição, mas não da forma contínua e misturada o tempo todo. O adubo não deve ser aplicado continuamente durante todo o tempo de irrigação. A rega precisa ser fracionada em etapas bem definidas.
O ciclo correto funciona assim:
1. Primeira etapa: inicia-se o setor somente com água pura até encher as tubulações e estabilizar a pressão dos emissores. Isso garante que o sistema esteja funcionando de forma uniforme antes de receber o adubo.
2. Segunda etapa: realiza-se a injeção da solução nutritiva na etapa intermediária do ciclo. É aqui que o adubo entra na rede e chega às raízes.
3. Terceira etapa: encerra-se obrigatoriamente a operação com água pura por mais 15 a 30 minutos. Essa etapa final serve para lavar toda a rede de tubos, prevenir o entupimento dos gotejadores por deposição de sais e deslocar os nutrientes para a camada do solo onde as raízes estão concentradas.
Por que isso importa para você
Se você irriga a lavoura, entender esses dois pontos pode significar economia de água, de adubo e de manutenção. Aplicar a lâmina errada de água pode causar estresse hídrico ou desperdício. E aplicar o adubo sem a lavagem final da rede pode entupir os gotejadores, comprometer a uniformidade da irrigação e gerar prejuízos com reparos e perda de produtividade.
A etapa final com água pura, além de limpar a tubulação, ajuda a levar os nutrientes para a zona das raízes, onde a planta realmente consegue absorver. Se você para a fertirrigação e desliga o sistema na hora, parte do adubo fica retida nos tubos e não chega à planta.
🔧 Dica prática para você
Antes de ligar a irrigação, confira a ETo do dia na estação meteorológica mais próxima e multiplique pelo Kc da sua cultura. Se você não tiver o Kc da sua cultura, procure o boletim técnico do seu estado ou consulte a Embrapa. Para a fertirrigação, programe o ciclo em três etapas: água pura no início, adubo no meio e água pura por 15 a 30 minutos no final. Essa rotina simples protege os equipamentos, melhora a absorção dos nutrientes e evita gastos desnecessários. Se você tem dúvida sobre o Kc da sua cultura ou o tempo ideal de cada etapa, converse com um agrônomo ou com a assistência técnica da sua cooperativa.
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