Safra de café bate recorde e chega a 67,6 milhões de sacas
Produção cresce 19,6% em 2026 e é a maior da história da Conab; arábica impulsiona resultado, enquanto conilon recua 6,6% no país
Se você produz café, os números confirmam o que o campo já vinha mostrando. Com 99% da área colhida, a produção brasileira de café para 2026 está estimada em 67,6 milhões de sacas de café beneficiado. É uma alta de 19,6% em comparação à safra de 2025.
O resultado é o maior da série histórica da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Os dados estão no 3º levantamento da cultura, divulgado nesta quinta-feira (24) pela estatal.
Por que a safra foi tão grande
O ano é de bienalidade positiva — um ciclo natural da cultura em que a planta produz mais. Isso influencia principalmente o café arábica. Mas o resultado também vem do aumento da área em produção e da melhora na produtividade média nacional.
A área em produção de café no país deve crescer 5,1%, sendo estimada em 1,95 milhão de hectares. A produtividade média nacional sobe 13,8%, saindo de 30,4 sacas por hectare em 2025 para 34,6 sacas por hectare neste ano.
Além da fisiologia da planta, o melhor desempenho nas lavouras se deve ao crescente uso de tecnologias no manejo pelos cafeicultores e à combinação de condições climáticas mais favoráveis.
O desempenho do arábica
O arábica representa cerca de 70% da produção total de café. A estimativa para este ano é de uma colheita de 48,2 milhões de sacas, elevação de 34,8% em comparação ao volume obtido em 2025.
Só em Minas Gerais, a safra está estimada em 34,96 milhões de sacas de arábica. No sul e centro-oeste mineiro, a produção chega a 15,93 milhões de sacas.
O ciclo de bienalidade positiva e a melhor distribuição das chuvas, principalmente nos meses que antecederam a floração, além do clima favorável até março, proporcionaram uma boa granação. São fatores que contribuem para a boa produtividade nas lavouras de Minas.
Em São Paulo, as condições climáticas favoráveis também foram benéficas. A estimativa é de uma produção de 6,19 milhões de sacas de arábica. As chuvas regulares e bem distribuídas após períodos secos, temperaturas amenas sem calor excessivo e um regime térmico alinhado à bienalidade positiva impulsionaram a produtividade no interior do estado.
O conilon recuou
No caso do conilon, a produção estimada para 2026 é de 19,4 milhões de sacas. Isso representa uma redução de 6,6% se comparado com o ano passado.
A área em produção da variedade cresceu 4%, estimada em 386,6 mil hectares. Mas a queda é influenciada pela menor produtividade nacional, impactada principalmente pelo desempenho do Espírito Santo.
O estado capixaba é o principal produtor de conilon no Brasil e deverá registrar uma queda de 5,4% na produção total de café. O resultado se deve à florada irregular nas lavouras da espécie, causada pelas baixas temperaturas registradas na região produtora. A consequência é uma redução de 14,3% na produção de conilon, somando 12,1 milhões de sacas.
Por outro lado, a safra do café arábica no Espírito Santo, sustentada pelas boas condições climáticas, pela expansão de 4,9% na área em produção e pelo ciclo de alta bienalidade, registra um crescimento de 33% na produção, totalizando 4,38 milhões de sacas.
Bahia e Rondônia
A Bahia registra crescimento de 1,2% na produção total, impulsionado pela regularidade das condições climáticas, pelo maior investimento em insumos e pela entrada de novas áreas em produção. Do total estimado, 1,19 milhão de sacas são de arábica e 3,3 milhões de sacas são de conilon.
Rondônia tem plantio exclusivo de conilon e o ciclo está praticamente encerrado. Com 98% das áreas em produção colhidas até o fim de agosto, a estimativa da Conab é de uma safra de 2,88 milhões de sacas, incremento de 24% em relação a 2025.
Os efeitos climáticos benéficos, especialmente as chuvas ao longo do desenvolvimento da cultura, permitiram que os grãos apresentassem boa qualidade e rendimento. Esse bom resultado também se deve ao pacote tecnológico adotado por uma parcela significativa dos cafeicultores.
As exportações
A exportação brasileira de café em agosto de 2026 foi a maior já registrada da série histórica para o mês. O Brasil exportou 3,8 milhões de sacas de 60 quilos, alta de 25,8% em relação ao mês anterior e aumento de 43,2% na comparação com agosto de 2025. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Ainda assim, no acumulado de janeiro a agosto de 2026, foram exportadas 24,6 milhões de sacas, uma baixa de 6,6% na comparação com igual período de 2025.
O cenário mundial
A produção mundial de café tem previsão recorde no ciclo 2026/27, estimada em 189,7 milhões de sacas de 60 quilos. Isso corresponde a uma alta de 6,1% em relação à temporada anterior, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
O consumo mundial está previsto em 179,7 milhões de sacas na temporada 2026/27, alta de 3,6% em relação ao ciclo anterior. Esse crescimento ocorre tanto em polos tradicionais, como Europa, Estados Unidos e Brasil, quanto em mercados em expansão, como a China.
O que esperar dos preços
As cotações internacionais do café estão sob pressão de baixa. Os fatores são a entrada da safra brasileira no mercado, a aproximação da colheita no Vietnã e o aumento sazonal da produção colombiana no último trimestre do ano.
A recuperação da produção nesses países ameniza a preocupação com a oferta. Mas não são esperadas reduções expressivas das cotações por causa do baixo patamar dos estoques atuais e do aumento da demanda mundial.
As previsões de El Niño no ciclo 2026/27 também influenciam a sustentação dos preços, podendo afetar negativamente a produção em muitos países.
Por que isso importa para você
Se você produziu café nesta safra, os números confirmam um ano de volume elevado. Mas o mercado internacional está pressionado, e os preços podem recuar. Isso significa que a qualidade e o momento da venda fazem ainda mais diferença.
Se você é produtor de conilon, o cenário é diferente. A queda na produção do Espírito Santo reduz a oferta da variedade, o que pode sustentar os preços do conilon no mercado interno.
Acompanhe os boletins da Conab e do Cepea para entender o ritmo da safra e do mercado. Se você tem café armazenado, avalie o momento de vender com base nas cotações internacionais e na sua necessidade de caixa. E lembre-se: em um ano de safra recorde, a qualidade é o que diferencia o seu produto. Invista em colheita bem feita, secagem correta e armazenamento adequado. O grão bem preparado encontra comprador mais fácil e negocia em posição mais favorável, mesmo em cenário de preços pressionados.
Fonte: Conab.