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Diesel recorde aperta o bolso do produtor americano

Preço do combustível sobe 68% em um ano e chega a US$ 6,29 o galão; colheita de milho e soja fica mais cara e pressão pode chegar ao consumidor

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
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Se você já sentiu o peso do diesel no orçamento, saiba que o problema não é só aqui. Nos Estados Unidos, os produtores rurais estão enfrentando preços recordes do combustível bem no meio da colheita. E isso está apertando margens que já eram finas.

A informação é da Reuters.

O que está acontecendo

Nos Estados Unidos, o preço médio do diesel atingiu um novo recorde nesta semana: US$ 6,29 por galão. Isso representa uma alta de 68% em relação ao ano passado, quando custava US$ 3,74. Os dados são da Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA).

O aumento foi provocado por pressões na oferta global de combustível, ligadas à guerra dos EUA e Israel contra o Irã e a ataques ucranianos a refinarias russas.

O impacto na colheita

A colheita de milho e soja nos Estados Unidos acontece entre meados de setembro e o fim de outubro. É o período de maior consumo de diesel no campo.

Addie Yoder, produtora de milho, soja e gado no nordeste do Missouri, opera duas colheitadeiras, três caminhões e vários tratores nessa época. Só uma colheitadeira consome 300 galões de combustível. Com o diesel no preço atual, ela diz que a única saída é cortar outras despesas.

No sudeste da Dakota do Sul, Drew Peterson espera gastar até US$ 1.500 por dia para abastecer apenas uma de suas colheitadeiras. O valor é o dobro do que gastou no ano passado.

"Você não pode simplesmente dizer: bem, o diesel está caro, não vou colher", afirmou ele. "Você tem que fazer caber no orçamento."

Quanto custa a mais por acre

Segundo Michael Langemeier, economista da Universidade Purdue, os custos com combustível subiram US$ 11 por acre no milho e US$ 7 por acre na soja em relação ao ano passado.

Wayne Gularte, que cultiva cerca de 600 acres de hortaliças perto de Gonzales, na Califórnia, viu seus custos com combustível subirem cerca de 40% — de aproximadamente US$ 5 o galão para US$ 7.

Para economizar, ele voltou a usar tratores antigos movidos a gasolina, da década de 1950, e deixou uma das caminhonetes a diesel parada. "O único dinheiro que a gente consegue ganhar é o que a gente economiza", disse.

O efeito na cadeia toda

O diesel não pesa só na fazenda. Ele encarece cada etapa da cadeia alimentar, do campo ao caminhão que leva comida ao supermercado.

Segundo David Ortega, economista da Universidade Estadual de Michigan, a maior parte dos alimentos se move em caminhões, e esses caminhões usam diesel. Os preços ao consumidor nos EUA subiram 2,7% na comparação anual em agosto, segundo o índice de preços ao consumidor.

Os itens mais vulneráveis a novos aumentos são os essenciais de mercearia, como frutas, verduras, laticínios e carnes, que dependem de transporte refrigerado.

Frete também dispara

As tarifas para transportar maçãs e peras em caminhões refrigerados do Vale de Yakima, no estado de Washington, atingiram o maior nível em quatro anos — e a colheita ainda está na metade.

Na Califórnia, o custo para transportar produtos frescos subiu entre 40% e 120% em relação ao ano passado. Em algumas cidades californianas, o diesel passou de US$ 8 o galão.

Segundo Dean Croke, analista da DAT Freight & Analytics, caminhoneiros autônomos, que pagam o combustível do próprio bolso, podem não aguentar novos aumentos. "Estamos prestes a ver falências de transportadoras provocadas pelo preço do diesel", afirmou.

Pressão política

O senador republicano Roger Marshall, do Kansas, enviou uma carta à secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, em 11 de setembro, pedindo alívio temporário para os produtores. Ele argumenta que eles estão absorvendo custos não planejados com combustível em um dos períodos de maior consumo de diesel do ano.

Um porta-voz do USDA disse que a agência não está deixando pedra sobre pedra no tema e que a secretária deve anunciar novidades nas próximas semanas.

Por que isso importa para você

O diesel é um custo que aparece em quase tudo na fazenda: trator, colheitadeira, caminhão, transporte de insumos e escoamento da produção. Quando o preço dispara, a margem some.

O caso americano mostra uma tendência que pode chegar ao Brasil. Se o diesel continuar caro, o custo de produção sobe, o frete aumenta e o preço final do alimento também pode subir. Para o produtor, o recado é claro: combustível é item de planejamento, não de improviso.

O que você pode fazer agora

O primeiro passo é medir quanto você gasta de diesel por hectare e por operação. Sem esse número, fica difícil saber onde cortar.

O segundo é avaliar a logística. Rotas mais curtas, cargas completas e manutenção dos pneus reduzem o consumo. Motor regulado e filtro limpo também fazem diferença.

O terceiro é considerar alternativas. Em algumas operações, o uso de tratores mais antigos ou a troca de equipamentos pode compensar. Mas atenção: o equipamento antigo só ajuda se o consumo por hora trabalhada for menor.

Antes da próxima safra, monte uma planilha simples com o consumo de diesel por máquina e por operação. Compare com o ano anterior. Se o custo subiu muito, reveja a programação das atividades: junte operações, evite deslocamentos vazios e planeje as rotas de transporte. E fique de olho nos preços do diesel na sua região — em períodos de alta, antecipar a compra de parte do combustível pode aliviar o caixa. O diesel é o sangue da fazenda: se ele pesa demais, todo o resto sente.

Fonte: Reuters.

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