Agricultura

Ciência busca lavouras mais resistentes

Isso reforça uma tendência que já começa a ganhar espaço no agro: o uso de produtos biológicos e inoculantes para aumentar a resistência das lavouras.

Daniel Vilar
Especialista
5 min de leitura
 lavouras
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Pesquisadores internacionais estão acelerando estudos para desenvolver culturas agrícolas mais resistentes ao calor, à seca e às mudanças climáticas. As informações foram publicadas no artigo “Boosting crops’ natural capabilities could help feed a warming world”, divulgado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

O trabalho mostra que cientistas vêm apostando em diferentes estratégias para proteger a produtividade agrícola diante do avanço das temperaturas globais. Entre elas estão o uso de microbiomas do solo, melhoramento genético tradicional e tecnologias para aumentar a tolerância das plantas ao estresse climático.

Um dos pontos destacados pelos pesquisadores é o papel dos microrganismos do solo. Em testes com uma planta aquática chamada duckweed, os cientistas observaram que plantas cultivadas em ambiente esterilizado tiveram queda no crescimento quando submetidas ao estresse. Já aquelas mantidas com seu microbioma natural conseguiram continuar se desenvolvendo mesmo sob condições adversas.

Na prática, isso reforça uma tendência que já começa a ganhar espaço no agro: o uso de produtos biológicos e inoculantes para aumentar a resistência das lavouras. Segundo o artigo, startups e laboratórios já trabalham no desenvolvimento de microrganismos capazes de ajudar culturas agrícolas a suportarem ondas de calor e períodos de seca.

Outro foco importante da pesquisa está no trigo. Cientistas do Centro Internacional de Melhoramento de Milho e Trigo (CIMMYT), no México, estudaram gramíneas selvagens adaptadas a regiões secas e descobriram materiais genéticos capazes de produzir até 40% mais biomassa sob condições de estiagem.

O artigo também alerta que as mudanças climáticas já pressionam diretamente a produção global de alimentos. Em regiões quentes e secas, como o Sudão, pesquisadores estimam que será necessário aumentar a produtividade do trigo entre 0,2% e 2,7% ao ano apenas para compensar as perdas causadas pelo clima.

Apesar do avanço tecnológico, os pesquisadores fazem um alerta importante: produtividade não pode ser buscada a qualquer custo. O estudo lembra que a Revolução Verde aumentou fortemente a produção agrícola mundial, mas também trouxe impactos ambientais relacionados ao uso intensivo de fertilizantes, herbicidas e pesticidas.

Hoje, segundo os autores, a ideia é construir soluções mais sustentáveis e acessíveis, especialmente para pequenos produtores. Entre as alternativas citadas estão o uso de agricultura inteligente, monitoramento climático no campo e desenvolvimento de cultivares mais resilientes.

Para você que produz no campo, a principal mensagem é clara: manejo biológico, genética adaptada e acompanhamento climático tendem a ganhar cada vez mais importância nos próximos anos. Tecnologias que aumentem a eficiência da planta sem elevar excessivamente os custos podem se tornar decisivas para manter produtividade em cenários de calor extremo e irregularidade de chuvas.

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