Sustentabilidade

Coleoptera de 113 milhões descoberto no Brasil

A Formação Crato, localizada na Bacia do Araripe, é reconhecida internacionalmente pela excelente preservação de fósseis.

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
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Uma descoberta feita por pesquisadores brasileiros e alemães colocou novamente o Brasil em destaque na ciência mundial. Fósseis encontrados na Formação Crato, no Ceará, revelaram uma nova linhagem de besouros que viveu há cerca de 113 milhões de anos, durante o período Cretáceo. O estudo identificou, pela primeira vez na América do Sul, representantes do grupo Archostemata, considerado um dos mais antigos da história evolutiva dos besouros.

A pesquisa foi conduzida por cientistas do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e de instituições da Alemanha. Os resultados foram publicados na revista científica Systematic Entomology.

O diferencial do trabalho foi o uso da microtomografia computadorizada, tecnologia que funciona como uma "escavação digital". Em vez de remover a rocha que envolve os fósseis, os pesquisadores utilizaram imagens em alta resolução para reconstruir os insetos em três dimensões. Isso permitiu visualizar partes do corpo que permaneciam escondidas, como pernas, tórax e peças bucais, fundamentais para identificar corretamente a espécie.

A análise revelou três espécies de besouros do grupo Archostemata. Entre elas está a Cratocupes scabrosus, considerada tão diferente das demais que levou os cientistas a criar uma nova família extinta, batizada de Cratocupedidae. Até então, esse grupo era conhecido apenas por fósseis encontrados na Europa, Ásia e América do Norte.

Os Archostemata surgiram há mais de 300 milhões de anos, muito antes dos dinossauros, mas atualmente restam menos de 50 espécies vivas em todo o planeta. A descoberta no Ceará ajuda a preencher uma importante lacuna na história da biodiversidade de Gondwana, o antigo supercontinente que reunia América do Sul, África, Antártida, Austrália e Índia.

A Formação Crato, localizada na Bacia do Araripe, é reconhecida internacionalmente pela excelente preservação de fósseis. Seus depósitos calcários conservam detalhes anatômicos raros, tornando a região uma das principais fontes de informação sobre a fauna e a flora que existiam há mais de 100 milhões de anos.

Segundo o pesquisador Gabriel Biffi, do Museu de Zoologia da USP e um dos autores do estudo, a descoberta comprova que os Archostemata já estavam amplamente distribuídos pelo planeta antes da separação dos continentes. Além disso, reforça o valor das coleções científicas brasileiras, que podem revelar novas informações mesmo décadas após a coleta dos fósseis.

Um exemplo prático da importância desse trabalho é que tecnologias modernas estão permitindo revisitar fósseis já armazenados em museus e extrair informações que antes eram impossíveis de obter. Isso amplia o conhecimento sobre a evolução das espécies sem a necessidade de novas escavações.

🔧 A descoberta mostra como o investimento em pesquisa, preservação de acervos científicos e novas tecnologias pode gerar conhecimento valioso sobre a história natural do Brasil. Fósseis preservados em coleções podem continuar revelando espécies inéditas por muitos anos, fortalecendo a ciência nacional e a compreensão da biodiversidade que existiu no território brasileiro.

Fonte: Jornal USP (Mila Massuda).

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