Emissões da China: o que mostram os dados
Esse cenário ocorre porque o país combina forte expansão das energias renováveis com um elevado consumo de carvão mineral.
Uma publicação recente nas redes sociais reacendeu um debate importante sobre as mudanças climáticas: afinal, a China é ou não a principal responsável pelo aumento das emissões de dióxido de carbono (CO₂) neste século? A resposta depende da pergunta que está sendo feita. Os dados mostram que diferentes indicadores contam histórias distintas, e entender essa diferença é essencial para interpretar corretamente o cenário climático global.
Quando o assunto é emissão por habitante, os Estados Unidos ainda aparecem à frente da China. Em 2024, um norte-americano emitiu, em média, cerca de 14 toneladas de CO₂, enquanto a média chinesa ficou em aproximadamente 8,7 toneladas. Além disso, Estados Unidos e Europa continuam sendo os maiores responsáveis pelas emissões acumuladas desde a Revolução Industrial, fator importante porque o CO₂ permanece na atmosfera por décadas.
Ao mesmo tempo, a China lidera a expansão das energias renováveis. Somente em 2024, sua capacidade instalada de energia solar cresceu 45,2%, enquanto a eólica avançou 18%, totalizando cerca de 890 gigawatts de energia solar e 520 gigawatts de energia eólica. Nenhum outro país instala tanta energia limpa quanto os chineses.
Por outro lado, os números mostram que a China também é atualmente o maior emissor anual de dióxido de carbono do planeta. Suas emissões nacionais são cerca de duas vezes e meia maiores que as dos Estados Unidos. Mais do que isso, segundo dados do Statistical Review of World Energy, as emissões globais aumentaram aproximadamente 14 bilhões de toneladas desde o início dos anos 2000, e cerca de 8,8 bilhões de toneladas desse crescimento vieram da China. Isso representa aproximadamente 62% do aumento mundial no período.
Esse cenário ocorre porque o país combina forte expansão das energias renováveis com um elevado consumo de carvão mineral. Apesar dos investimentos recordes em energia limpa, a demanda por eletricidade cresce rapidamente, impulsionada pela industrialização e pelo aumento da atividade econômica. Como consequência, as fontes renováveis ainda não conseguem substituir totalmente os combustíveis fósseis.
Na prática, isso significa que várias afirmações podem ser verdadeiras ao mesmo tempo: Estados Unidos e Europa possuem maior responsabilidade histórica pelas emissões acumuladas; os Estados Unidos continuam com emissões per capita superiores; e a China é líder mundial em energia renovável. Porém, também é correto afirmar que a China é hoje a principal responsável pelo crescimento das emissões globais anuais de CO₂ neste século.
🔧 Orientação: Para o agronegócio, acompanhar esse cenário é fundamental. As decisões tomadas pelos grandes emissores influenciam diretamente políticas climáticas, mercados de carbono, exigências ambientais e o comércio internacional de alimentos, fatores que tendem a impactar cada vez mais a produção rural brasileira.
Fonte: Forbes.