Sustentabilidade

Brasil ganha nova joia geológica com cratera em SP

Os grãos foram extraídos de amostras coletadas em três sondagens feitas pela Sabesp dentro da cratera, durante a perfuração de um poço artesiano para abastecer a comunidade local.

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
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Pela primeira vez no Brasil, cientistas identificaram grãos de zircão com marcas de impacto de asteroide na Cratera de Colônia, localizada em Parelheiros, na zona sul de São Paulo. A descoberta, publicada na revista Earth and Planetary Science, confirma definitivamente a origem da cratera como resultado da queda de um corpo extraterrestre.

O zircão é um mineral extremamente resistente, que age como um "arquivo geológico": ele preserva informações sobre eventos de pressão e temperatura extremos — como colisões de asteroides. Essas condições deformam sua estrutura interna de forma única, deixando marcas microscópicas que não são produzidas por processos geológicos convencionais, como a tectônica de placas.

Os grãos foram extraídos de amostras coletadas em três sondagens feitas pela Sabesp dentro da cratera, durante a perfuração de um poço artesiano para abastecer a comunidade local. Os pesquisadores da USP e do Instituto de Pesquisas Ambientais separaram 40 grãos de zircão, cada um com cerca de 0,05 milímetros de comprimento.

As "impressões digitais" do impacto

Após análises detalhadas, os cientistas encontraram duas evidências típicas de metamorfismo de choque:

- **PDFs (*planar deformation features*)**: linhas microscópicas (com cerca de 1 micrômetro de largura) que atravessam o interior dos grãos em diferentes direções, causadas pela passagem das ondas de choque.

- Textura granular: reorganização da estrutura cristalina do mineral após condições extremas de pressão e temperatura.

Segundo Victor Velázquez Fernandez, pesquisador da USP e autor do artigo, "os PDFs são praticamente uma impressão digital de que houve impactos de asteroides". Essas feições já eram usadas internacionalmente para estudar crateras, mas nunca haviam sido encontradas em formações geológicas do tipo no Brasil.

O que isso significa para a ciência

A descoberta não apenas confirma a origem da Cratera de Colônia, mas também abre portas para novas pesquisas. A próxima etapa será datar os grãos — o que permitirá determinar com precisão quando o asteroide atingiu a região. "A datação reflete o resfriamento do grão após o último evento térmico registrado. Nesse caso, o impacto", explica o pesquisador.

O choque do asteroide pode ter gerado cerca de 40 quilobares de pressão (equivalente a 40 mil vezes a pressão atmosférica ao nível do mar) e temperatura de 5 mil graus Celsius, causando destruição num raio de pelo menos 20 a 30 quilômetros. Ao longo de milhões de anos, a floresta e o clima tropical obliteraram as evidências macroscópicas — restando apenas as microscópicas para contar a história.

Por que isso importa

O Brasil tem apenas oito crateras registradas no Earth Impact Database e nove no Impact Earth. A Cratera de Colônia, com seus 3,6 km de diâmetro, é uma das poucas de fácil acesso, o que a torna valiosa para estudos científicos.

Além do valor geológico, a cratera tem importância socioambiental: seu interior forma um aquífero raso que contribui para a Represa de Guarapiranga. Por isso, sua preservação é também uma questão de água e qualidade de vida para a região.

🔧 O que isso ensina para o produtor rural

Você pode estar se perguntando: o que uma cratera em São Paulo tem a ver com o campo? Mais do que parece.

Assim como os zircões guardam memórias de eventos extremos, o solo da sua propriedade também registra histórias — de manejo, de clima, de uso. E, da mesma forma que os cientistas usam esses minerais para entender o passado e planejar o futuro, você pode usar o conhecimento sobre o seu solo para tomar decisões mais acertadas.

Orientações práticas:

1. Conheça a geologia da sua região: entender o tipo de solo, sua profundidade e composição ajuda a planejar culturas, manejo de irrigação e correção de fertilidade.

2. Preserve áreas de recarga hídrica: assim como a Cratera de Colônia alimenta a Guarapiranga, muitas propriedades rurais têm nascentes, veredas e áreas de infiltração que merecem proteção. Mantenha APPs e matas ciliares.

3. Invista em análise de solo: a "memória" do seu solo está nos seus nutrientes, pH e matéria orgânica. Faça análises periódicas para entender o que ele precisa e evitar surpresas.

4. Aprenda com a ciência: pesquisas como essa mostram o valor da investigação geológica. No campo, isso se traduz em parceria com universidades, Embrapa e institutos de pesquisa para inovar e melhorar a produtividade.

5. Conservação é patrimônio: assim como os pesquisadores buscam proteger a cratera, preserve os recursos naturais da sua propriedade. Solo fértil, água limpa e biodiversidade são ativos que valorizam sua terra a longo prazo.


Fonte: USP.

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