Milho estável, mas clima preocupa o produtor
Preços registram pequenos ajustes e negociações seguem cautelosas; chuvas excessivas no Sul e Sudeste avançam a semeadura, mas El Niño gera incerteza
Se você planta milho, o momento é de cautela. Os preços no mercado brasileiro registraram apenas pequenos ajustes na maior parte das regiões acompanhadas pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), no boletim do dia 28 de setembro de 2026.
De modo geral, compradores e vendedores vêm mantendo postura cautelosa.
De acordo com o Centro de Pesquisas, após chuvas excessivas nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, os agricultores têm avançado com a semeadura. Ao mesmo tempo, seguem preocupados com o clima para os próximos meses, devido aos possíveis impactos do El Niño.
Nesse contexto, os produtores limitam a oferta para negociações no mercado spot — aquele de negociação imediata, com entrega e pagamento rápidos.
Pesquisadores do Cepea destacam que a demanda é pontual. Os consumidores relatam ter estoques para o curto prazo, o que reduz a pressão por novas compras neste momento.
Além disso, eles acreditam que, com a maior disponibilidade atual, a exportação em ritmo lento e os trabalhos de campo avançando nas áreas brasileiras e nos Estados Unidos, os produtores possam ter necessidade de venda nas próximas semanas.
Consequentemente, isso poderia aumentar o volume de mercadoria disponível para negociações e pressionar os valores para baixo.
Se você tem milho para vender, o cenário pede atenção. A oferta está limitada agora, mas pode aumentar nas próximas semanas. Se muitos produtores precisarem vender ao mesmo tempo, os preços podem recuar.
Por outro lado, se o clima não ajudar — e o El Niño pode trazer veranicos ou chuvas irregulares —, a produção pode ser afetada, o que sustentaria os preços mais à frente.
Se você compra milho, a expectativa de maior disponibilidade nas próximas semanas pode abrir oportunidades de negociação. Mas vale ficar atento ao clima, que pode mudar esse cenário rapidamente.
Vale acompanhar as cotações diárias da sua região e comparar com os valores divulgados pelo Cepea. Entender o movimento local ajuda a decidir o melhor momento de comprar ou vender.
Se você tem milho armazenado e precisa de caixa, avalie se vale a pena vender parte agora, antes que a oferta aumente. Se tem fôlego para esperar, fique de olho no clima e nas exportações.
E se você está plantando, cuide bem do manejo. Com clima incerto, a qualidade da lavoura é o que garante produtividade e, consequentemente, melhor poder de negociação.
Nos próximos 30 dias, acompanhe os boletins do Cepea e as previsões do INMET para a sua região. Se houver previsão de veranico ou chuvas irregulares, avalie antecipar a irrigação e ajustar o manejo. Se você tem milho para vender, compare o preço atual com a média das últimas semanas e avalie se vale a pena negociar parte do lote agora. E fique atento ao ritmo das exportações: quando elas desaceleram, o mercado interno absorve mais volume, o que pode pressionar os preços. Em um ano de El Niño, informação de qualidade é o melhor insumo.