Pecuária

China amplia acesso a miúdos suínos brasileiros

Com a ampliação do acesso, frigoríficos brasileiros habilitados poderão diversificar o portfólio destinado ao país asiático.

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
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O Brasil revisou com a China o protocolo sanitário bilateral para exportação de miúdos suínos. A medida amplia o conjunto de produtos brasileiros autorizados a entrar no mercado chinês e pode abrir novas oportunidades para frigoríficos habilitados, segundo informações do Ministério da Agricultura e da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

A estimativa da ABPA é que o novo protocolo possa gerar mais de US$ 100 milhões em receitas adicionais para o setor brasileiro de carne suína. A entidade também aponta potencial de maior aproveitamento comercial de partes do animal que possuem menor demanda no mercado interno.

A China é o maior produtor e consumidor de carne suína do mundo, mas depende de importações para complementar sua oferta. Com a ampliação do acesso, frigoríficos brasileiros habilitados poderão diversificar o portfólio destinado ao país asiático.

Segundo a ABPA, mais de 100 mil toneladas por ano de miúdos suínos brasileiros poderão passar a ter destinação qualificada ao mercado chinês com o novo protocolo.

Antes da revisão, o acesso era mais limitado. Santa Catarina, por exemplo, já tinha autorização para exportar determinados miúdos externos, como pés, orelhas e rabos, mas não possuía o mesmo acesso para os miúdos internos.

Somente em Santa Catarina, a ABPA estima potencial de exportação de 65,9 mil toneladas anuais de miúdos internos para a China com a ampliação do protocolo. No Rio Grande do Sul, a estimativa é de mais de 40 mil toneladas anuais de miúdos suínos, além das oportunidades relacionadas à própria carne suína.

O anúncio ocorreu durante o encerramento de uma auditoria realizada por autoridades chinesas em frigoríficos brasileiros. A avaliação, iniciada no último dia 20, fez parte do processo que antecedeu a revisão do protocolo sanitário.

Para o setor, a mudança também pode melhorar o aproveitamento econômico da carcaça. Produtos que antes tinham menor valor ou mercado mais restrito podem ganhar uma nova alternativa de comercialização, aumentando a receita obtida por animal abatido.

O presidente da ABPA, Ricardo Santin, destacou que existe complementaridade entre os hábitos de consumo brasileiros e chineses. A possibilidade de direcionar diferentes partes do animal para mercados específicos pode contribuir para melhorar o aproveitamento da carcaça e ampliar a receita da produção.

A relação comercial entre os dois países já possui forte participação da proteína suína. Entre 2013 e 2024, o Brasil exportou 2,7 milhões de toneladas de produtos suínos para a China, que se consolidou entre os principais destinos dos embarques brasileiros, segundo a ABPA.

Para o produtor de suínos, a ampliação do mercado chinês aumenta as possibilidades de valorização de diferentes produtos da cadeia. O impacto, porém, dependerá da habilitação dos estabelecimentos, do cumprimento dos requisitos sanitários e da capacidade dos frigoríficos de transformar essa abertura comercial em novos contratos de exportação.

Acompanhe a habilitação dos frigoríficos e a regulamentação dos produtos autorizados. A abertura para os miúdos internos pode ampliar o aproveitamento econômico da carcaça e criar novas oportunidades de receita para a cadeia suinícola.

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