Sustentabilidade

IA acelera análise da vida no solo

Nos testes, foram analisados 2.318 organismos do solo.

Daniel Vilar
Especialista
3 min de leitura
Compartilhar 𝕏 f WA in

A inteligência artificial acaba de dar um importante passo para ajudar pesquisadores a entender melhor a biodiversidade presente no solo. Um estudo aceito para publicação na revista Scientific Reports apresentou uma tecnologia capaz de identificar rapidamente milhares de organismos que vivem no solo, reduzindo o tempo e o custo das análises e abrindo novas possibilidades para o monitoramento da qualidade biológica das áreas agrícolas.

A pesquisa desenvolveu o Smart Soil Organism Detector (Smart SOD), um sistema que combina citometria de fluxo, imagens digitais e inteligência artificial para analisar organismos como nematoides, ácaros, colêmbolos e tardígrados. O equipamento utiliza quatro lasers e uma câmera de alta velocidade para registrar características físicas e bioquímicas de cada organismo, criando uma espécie de "impressão digital óptica". Em seguida, algoritmos de inteligência artificial comparam essas informações com um banco de dados e identificam quais organismos têm maior potencial de representar espécies ainda pouco conhecidas.

Nos testes, foram analisados 2.318 organismos do solo. O sistema alcançou 94,4% de precisão na identificação de espécies de nematoides apenas com sinais ópticos e conseguiu explicar cerca de 91% da variação genética observada nas análises moleculares. Outro destaque foi o ganho de eficiência: a tecnologia aumentou em aproximadamente seis vezes a capacidade de encontrar novos grupos de organismos quando comparada ao sequenciamento convencional de todos os indivíduos. Além disso, o equipamento consegue processar até 2.000 organismos por minuto, tornando levantamentos de biodiversidade muito mais rápidos.

Na prática, essa inovação ainda está voltada principalmente para pesquisas científicas, mas pode trazer benefícios importantes para a agricultura no futuro. A biodiversidade do solo é um dos principais indicadores da saúde do ambiente agrícola e influencia processos como ciclagem de nutrientes, decomposição da matéria orgânica, estrutura do solo e controle biológico de pragas e doenças. Com ferramentas mais rápidas e acessíveis, será possível acompanhar melhor os impactos de diferentes sistemas de manejo, avaliar a eficiência de bioinsumos, monitorar populações de nematoides e acompanhar a recuperação de áreas degradadas.

Os próprios pesquisadores ressaltam que a tecnologia não substitui o sequenciamento de DNA. Ela funciona como uma ferramenta de triagem inteligente, indicando quais organismos merecem análises mais detalhadas. O desempenho também depende da qualidade do banco de dados utilizado, especialmente para organismos raros ou ainda pouco estudados.

🔧 Orientação: Embora essa tecnologia ainda não esteja disponível para uso rotineiro nas propriedades, ela reforça a importância de preservar a vida do solo. Práticas como plantio direto, rotação de culturas, uso de plantas de cobertura e manejo equilibrado da fertilidade favorecem a biodiversidade, tornando o solo mais produtivo, resiliente e sustentável ao longo do tempo.

Fonte: scientific reports

Mais de Sustentabilidade

Ver todas →

Boletim Agriconline

O agronegócio na sua caixa de entrada, todo dia às 6h.

Cotações, clima, mercado e as principais notícias do campo — em 5 minutos de leitura.

Enviaremos um e-mail pra você confirmar. Sem spam — descadastre quando quiser.