Parques urbanos: planejamento inteligente amplia benefícios climáticos e sociais
Estudo da USP mostra que alocação estratégica de áreas verdes pode maximizar regulação térmica e redução de enchentes, otimizando recursos públicos.
Entrar em um parque traz benefícios que vão além do bem-estar imediato. Em uma metrópole como São Paulo, em meio à emergência climática, esses espaços verdes podem ser ferramentas poderosas para enfrentar ondas de calor, enchentes e melhorar a qualidade de vida da população. É o que mostra uma pesquisa do Instituto de Biociências (IB) da USP, com apoio do Programa Biota da Fapesp e da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA).
O estudo analisou 211 projetos de parques propostos pelo poder público e simulou diferentes cenários para avaliar o potencial de três serviços ecossistêmicos: regulação climática (redução do calor), infiltração hídrica (prevenção de enchentes) e recreação . "Os parques, além de seu papel recreativo, têm o potencial de regulação térmica por meio da redução dos efeitos das ondas de calor, e também melhoram a infiltração de água, reduzindo os riscos de enchentes, inundações e alagamentos", explica Gabriel Moreno Tarragô, pesquisador do Laboratório de Ecologia da Paisagem e Conservação (LEPaC) da USP.
Por que o planejamento é essencial?
Segundo Tarragô, a criação de parques urbanos geralmente é influenciada por pressão social, interesses políticos e disponibilidade financeira mas, sem planejamento estratégico, esses fatores limitam os benefícios que os espaços verdes poderiam oferecer . “Ao priorizar um fator em detrimento de outro na implementação dos parques, sem um benefício específico em mente, o projeto pode acabar desperdiçando diversos serviços ecossistêmicos”, explica.
A pesquisa utilizou uma abordagem inédita que integra oferta, demanda e fluxo dos serviços ecossistêmicos com uma ferramenta de otimização espacial . Os custos foram avaliados com base em desapropriação, implementação e manutenção. O resultado: uma quantificação detalhada de custos, benefícios e provisões ecossistêmicas de cada parque estudado.
Resultados e aplicação
O modelo permite identificar quais projetos trazem o melhor retorno para um objetivo específico. “Se há um recurso financeiro disponível e o objetivo da implementação do parque é a regulação térmica da cidade, hoje nós conseguimos saber quais projetos conseguem trazer um melhor retorno climático possível, dentro do limite orçamentário proposto”, exemplifica Tarragô .
Os resultados também mostram que o equilíbrio entre custos e benefícios é crucial para distribuir os serviços de forma mais igualitária pela cidade.
Para quem vive no campo ou trabalha com planejamento territorial, a pesquisa oferece um modelo replicável que pode ser aplicado em cidades e regiões rurais. A ferramenta pode auxiliar na priorização de áreas para restauração florestal, criação de corredores ecológicos ou implantação de sistemas agroflorestais, considerando custos e benefícios ambientais .
O estudo, publicado na revista Urban Forestry & Urban Greening, é uma ferramenta de adaptação climática global e pode auxiliar diferentes populações a enfrentar, de maneira planejada, tanto os desafios cotidianos dos centros urbanos quanto os impactos negativos dos eventos climáticos extremos.
🔧 Orientações:
Priorize parques com base em serviços ecossistêmicos: antes de decidir onde criar um parque, avalie seu potencial para regulação térmica, infiltração de água e recreação .
Considere custos e benefícios integrados: desapropriação, implementação e manutenção devem ser ponderados com os ganhos ambientais e sociais.
Distribua os benefícios de forma equitativa: parques bem localizados podem reduzir desigualdades no acesso a áreas verdes e na proteção contra eventos extremos.
Utilize ferramentas de otimização espacial: modelos como o desenvolvido pela USP ajudam a tomar decisões baseadas em dados, maximizando o retorno do investimento público.
Fonte: USP.