Sustentabilidade

Embrapa usa edição gênica para criar bioinsumos mais potentes

Pesquisas buscam ampliar fixação biológica de nitrogênio e melhorar controle biológico; tecnologia pode reduzir custos e dependência de fertilizantes importados.

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
Compartilhar 𝕏 f WA in

A edição gênica de microrganismos benéficos, como bactérias fixadoras de nitrogênio e fungos de controle biológico, está ganhando espaço nas pesquisas da Embrapa. Os estudos, que utilizam a tecnologia CRISPR, têm potencial para ampliar a eficiência desses bioinsumos e reduzir a dependência de fertilizantes químicos importados .

Segundo o pesquisador Alexandre Nepomuceno, da Embrapa Soja, mais de 50% das submissões de edição gênica à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) já estão relacionadas a microrganismos . Esse cenário acompanha uma tendência mundial de busca por tecnologias mais sustentáveis no campo.

Como funciona a edição gênica nesses microrganismos?

A edição gênica pode ser comparada à edição de um texto: permite localizar um trecho específico do DNA e fazer uma espécie de "corta e cola", removendo, inserindo ou substituindo partes de sua sequência . No caso das bactérias fixadoras de nitrogênio (diazotróficas), os pesquisadores buscam modificar genes que regulam a fixação biológica de nitrogênio (FBN) e reduzir a atividade de enzimas que limitam a liberação de amônia para a planta hospedeira, aumentando a eficiência do processo .

O que está sendo pesquisado?

No campo da fixação biológica de nitrogênio, a Embrapa Agrobiologia trabalha com quatro grupos de bactérias, associadas a diferentes culturas, como braquiária, trigo, cana-de-açúcar e grama-batatais . Três delas estão em fase de caracterização em laboratório . O objetivo é ampliar a competitividade desses microrganismos em diferentes culturas e condições de campo .

Em outra frente, pesquisadores da Embrapa Arroz e Feijão já desenvolveram uma linhagem editada do fungo Trichoderma harzianum, utilizado no controle de doenças como a ferrugem asiática e a podridão radicular . A versão editada produz mais melanina, o que aumenta sua resistência à radiação solar em três vezes . A expectativa é que isso torne o fungo mais estável quando aplicado na parte aérea das plantas, sob exposição solar intensa . Além disso, a melanina produzida poderá ser usada como "protetor solar" em formulações de bioinseticidas .

A edição gênica permite desenvolver microrganismos capazes de:

  • Fixar mais nitrogênio: para o produtor, isso significa reduzir a dependência de fertilizantes nitrogenados, que representam um dos maiores custos da lavoura e são majoritariamente importados .

  • Oferecer controle biológico mais eficaz: fungos editados, como o Trichoderma, podem ter maior sobrevida no campo, aumentando a eficiência no combate a doenças .

  • Reduzir custos e impacto ambiental: a tecnologia pode diminuir os custos de produção e a emissão de gases de efeito estufa associados ao uso de fertilizantes químicos .

🔧 Orientações:

  1. Acompanhe os lançamentos: as novas tecnologias de bioinsumos editados geneticamente ainda estão em fase de pesquisa e validação. Fique atento aos canais da Embrapa para saber quando estarão disponíveis para uso comercial .

  2. Consulte a assistência técnica: ao adotar novos bioinsumos, procure orientação de profissionais qualificados para escolher o produto mais adequado à sua cultura e às condições da sua propriedade.

  3. Planeje a transição: a substituição parcial de fertilizantes químicos por bioinsumos pode ser gradual. Avalie os custos e benefícios e faça testes em áreas menores antes de expandir o uso .

  4. Avalie a relação custo-benefício: a redução no uso de fertilizantes importados pode trazer economia significativa, especialmente em um cenário de câmbio desfavorável .

  5. Mantenha-se informado: a edição gênica é uma tecnologia em rápida evolução. Participar de eventos como o "P&D em debate" da Embrapa, que já reuniu mais de 1.857 participantes em 2026, pode ser uma boa forma de se atualizar .

A edição gênica representa uma nova fronteira para a agricultura brasileira, com potencial para gerar bioinsumos mais eficientes e sustentáveis, reduzindo custos e a dependência externa. O produtor que se mantiver informado e planejar a adoção dessas tecnologias estará mais bem posicionado para colher seus benefícios.

Fonte: Embrapa.

Mais de Sustentabilidade

Ver todas →

Boletim Agriconline

O agronegócio na sua caixa de entrada, todo dia às 6h.

Cotações, clima, mercado e as principais notícias do campo — em 5 minutos de leitura.

Enviaremos um e-mail pra você confirmar. Sem spam — descadastre quando quiser.