Agricultura

Cacau na África Ocidental ameaçado por chuvas, doenças e El Niño

Produção de Gana e Costa do Marfim deve cair até 20%; excedente global projetado para 2026/27 é reduzido.

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
Compartilhar 𝕏 f WA in

Produtores de cacau na África Ocidental enfrentam uma safra incerta, ameaçada por chuvas torrenciais, doenças como a podridão negra, falta de defensivos e a iminência de um El Niño excepcionalmente forte. Na Costa do Marfim e em Gana, que juntos produzem mais da metade do cacau mundial, a produção pode cair cerca de 20% e 13%, respectivamente, segundo levantamentos com traders e fontes do setor.

As dificuldades já são sentidas no campo. Em Gana, Simon Essah, agricultor no sudoeste do país, relata que a contagem de vagens é menor do que no mesmo período do ano passado, e o clima frio e nublado com chuvas intermitentes tem criado condições ideais para a podridão negra. Na Nigéria, meses sem chuvas foram seguidos por inundações e ventos que arrancaram vagens em desenvolvimento. Em Camarões, agricultores enfrentam escassez de produtos químicos e aumento de pragas.

Estoques globais e preços em alta

Os preços do cacau já reagem às incertezas. Os contratos futuros subiram mais de 70% desde o início de junho, quando o El Niño foi confirmado, e os futuros negociados em Londres atingiram na terça-feira (1º) o maior nível desde setembro de 2025 . A queda na produção deve levar a um excedente global de cerca de 25 mil toneladas na safra 2026/27, abaixo das expectativas anteriores, segundo a projeção média de analistas consultados pela Bloomberg.

"Estamos nesse ponto de inflexão em que, pelo menos no que diz respeito ao clima, estamos à espera para ver o que vai acontecer, pois tudo pode acontecer", disse Oran Van Dort, analista do Rabobank.

O cenário de oferta restrita na África Ocidental pode elevar os preços internacionais do cacau, beneficiando produtores de outras regiões, como o Brasil. No entanto, a volatilidade e a incerteza climática exigem planejamento cuidadoso, especialmente em relação à comercialização e à gestão de riscos.

🔧 Orientações:

1. Acompanhe as cotações internacionais: os preços do cacau estão em alta e podem continuar subindo se a oferta da África Ocidental se reduzir ainda mais.

2. Avalie a janela de venda: com preços elevados, este pode ser um bom momento para negociar a produção. Considere escalonar as vendas para aproveitar novas altas.

3. Monitore o clima e o El Niño: o fenômeno pode intensificar ventos secos (Harmattan) na África Ocidental, prejudicando a safra. Fique atento às previsões climáticas para planejar a próxima safra.

4. Planeje a compra de insumos: se você produz cacau ou outras culturas, o cenário de alta nos preços pode pressionar os custos de insumos. Planeje a compra com antecedência.

5. Mantenha a qualidade: com a demanda global aquecida, a qualidade do cacau brasileiro pode ser um diferencial competitivo para acessar mercados premium.

Fonte: Bloomberg.

Mais de Agricultura

Ver todas →

Boletim Agriconline

O agronegócio na sua caixa de entrada, todo dia às 6h.

Cotações, clima, mercado e as principais notícias do campo — em 5 minutos de leitura.

Enviaremos um e-mail pra você confirmar. Sem spam — descadastre quando quiser.