Sustentabilidade

Sargaço ameaça turismo e pesca no litoral brasileiro

Estudo da USP integra registros científicos e jornalísticos; Pará teve 42,8 mil toneladas de algas em 2025, mas país carece de dados sistemáticos.

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
Compartilhar 𝕏 f WA in

Toneladas de sargaço, um tipo de alga acastanhada, têm chegado com maior frequência às praias brasileiras, formando extensos bancos que alteram as condições da zona costeira e podem afetar atividades como turismo e pesca. Pará e Maranhão estão entre os estados que registraram os maiores volumes nos últimos anos. No entanto, o país ainda carece de dados sistemáticos sobre a ocorrência, a quantidade e a composição desses organismos, o que dificulta o planejamento de ações de monitoramento, manejo e remoção da biomassa .

Para reunir informações e ampliar o monitoramento, pesquisadores da USP analisaram registros científicos e notícias publicadas pela imprensa sobre encalhes de sargaço no litoral brasileiro entre 2010 e 2025. Os resultados foram publicados na revista Aquatic Conservation: Marine and Freshwater Ecosystems .

O que é o sargaço e por que ele chega às praias?

Segundo o estudo, o sargaço que chega às praias brasileiras é formado principalmente pelas espécies pelágicas Sargassum natans e Sargassum fluitans. Diferentemente das algas fixadas no fundo do mar, essas espécies permanecem livres e flutuando na superfície do oceano, formando grandes concentrações no Atlântico tropical e sendo transportadas por correntes marítimas .

O aumento dos encalhes está associado à interação de fatores oceanográficos e ambientais, como disponibilidade de nutrientes, temperatura, salinidade da água e alterações nos padrões de ventos e correntes .

Mídia e ciência: informações complementares

A pesquisa mostrou que a imprensa e a ciência produzem informações diferentes, mas complementares. Enquanto a imprensa registra rapidamente a ocorrência dos eventos e seus impactos (mau cheiro, prejuízos ao turismo e à pesca), a pesquisa científica busca identificar as espécies, quantificar a biomassa e analisar as condições ambientais .

No entanto, as reportagens muitas vezes classificam erroneamente macroalgas bentônicas (fixadas no fundo) como sargaço pelágico, o que dificulta a padronização dos registros. Já os artigos científicos, embora mais confiáveis, são mais lentos e menos numerosos .

Segundo Leonardo Capeleto de Andrade, pesquisador da USP, "integrar essas informações pode ajudar a construir uma base de dados mais consistente sobre os encalhes de sargaço e acompanhar a evolução do fenômeno ao longo da costa brasileira" .

Pará: 42,8 mil toneladas em 2025

O Pará teve o principal foco de encalhes, seguido do Maranhão. Em Salinópolis (PA), um estudo estimou em 42,8 mil toneladas a biomassa de sargaço que chegou às praias em 2025 — o primeiro trabalho a quantificar o fenômeno no Brasil por meio de coletas primárias e mapeamento aéreo com drones .

No entanto, apenas cerca de 4% da biomassa foi retirada das praias, mesmo com o reforço do governo estadual. Foram necessárias, em média, 45 viagens de caminhão por dia durante 11 dias para remover o material, evidenciando a falta de preparo dos municípios para lidar com grandes volumes .

Sargaço como matéria-prima para construção civil

Na USP, pesquisadores investigam formas de incorporar a biomassa do sargaço em soluções construtivas. O projeto coordena duas frentes: uma avalia tratamentos para melhorar a estabilidade da biomassa; a outra testa seu uso como aditivo natural na produção experimental de blocos de terra comprimida .

A proposta é investigar se a alga, que chega em grandes quantidades às praias, pode ser aproveitada como recurso para materiais construtivos sustentáveis .

O fenômeno do sargaço afeta diretamente comunidades que vivem do turismo e da pesca. A falta de monitoramento e preparo torna a remoção cara e ineficiente. A integração entre ciência e mídia pode ajudar a prever e planejar a chegada das algas, reduzindo impactos econômicos e ambientais.

🔧 Orientações:

1. Monitore a chegada do sargaço: utilize registros de imprensa e dados científicos para mapear a ocorrência e planejar a remoção.

2. Invista em infraestrutura: municípios costeiros devem se preparar com equipamentos, caminhões e equipes para remoção rápida da biomassa.

3. Acompanhe pesquisas: o desenvolvimento de usos alternativos para o sargaço (como materiais de construção) pode transformar o problema em oportunidade.

4. Participe de redes de monitoramento: a criação de uma base de dados nacional sobre encalhes de sargaço é fundamental para entender a evolução do fenômeno e planejar ações de manejo .

Fonte: USP.

Mais de Sustentabilidade

Ver todas →

Boletim Agriconline

O agronegócio na sua caixa de entrada, todo dia às 6h.

Cotações, clima, mercado e as principais notícias do campo — em 5 minutos de leitura.

Enviaremos um e-mail pra você confirmar. Sem spam — descadastre quando quiser.