Compostagem muda a concentração dos nutrientes?
Esse comportamento, porém, não é igual para todos os nutrientes.
Durante a compostagem da palha de café, a redução da massa do material pode aumentar a concentração de alguns nutrientes no composto final. Isso acontece porque parte do carbono é transformada em CO₂ e deixa o sistema, enquanto determinados nutrientes permanecem na massa sólida.
Imagine 1.000 kg de matéria seca no início do processo. Após a bioestabilização, mineralização e humificação, esse material pode chegar a 700 kg. Se um nutriente estava presente em 10 kg e praticamente não sofreu perdas, sua concentração passa de 1% para cerca de 1,43%.
Nesse caso, não houve produção de mais nutriente. Os mesmos 10 kg passaram a estar distribuídos em uma quantidade menor de composto. Por isso, a análise laboratorial pode apresentar um teor maior em % ou kg/t, mesmo sem aumento da quantidade absoluta daquele nutriente.
Esse comportamento, porém, não é igual para todos os nutrientes. O potássio, por exemplo, pode ter sua concentração aumentada pela redução da massa, mas também pode sofrer perdas por lixiviação. O nitrogênio exige ainda mais atenção, pois pode ser perdido durante a compostagem por processos como volatilização de amônia, lixiviação e desnitrificação.
Por isso, ao avaliar um composto de palha de café, é importante separar duas informações: quanto nutriente existe no total e qual é sua concentração por unidade de massa.
Na prática, se você tinha 1.000 kg de composto com determinado teor de nutrientes e, após o processo, restaram 700 kg, não significa automaticamente que o composto passou a ter mais nutrientes. Ele pode simplesmente estar mais concentrado.
Essa diferença é fundamental para definir a dose de aplicação na lavoura. O cálculo deve considerar a análise do composto, sua matéria seca e os teores efetivamente disponíveis dos nutrientes. Assim, você evita superestimar o valor fertilizante do material e consegue dimensionar melhor a quantidade a ser aplicada no solo.