Clima

El Niño 2026: alerta climático e econômico para o agro

No Brasil, os efeitos não são uniformes.

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
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O possível retorno do El Niño em 2026 não é apenas uma previsão meteorológica. É um sinal de alerta para o produtor rural brasileiro, que já convive com margens apertadas, custos elevados e preços de commodities pressionados. A combinação entre clima volátil e ambiente econômico frágil torna o risco maior do que em anos anteriores.

As projeções são claras: a NOAA/CPC indica 82% de chance de formação do fenômeno entre maio e julho de 2026; o IRI/Columbia estima probabilidade de 98% para o mesmo período; e a Organização Meteorológica Mundial também confirma o desenvolvimento esperado a partir de meados do ano, com impactos globais sobre temperatura e chuva.

No Brasil, os efeitos não são uniformes. No Sul, o risco está no excesso de chuva, encharcamento e perda de janelas de plantio e colheita. No Centro-Oeste, Sudeste, Norte e Nordeste, a preocupação é com calor, veranicos, irregularidade das chuvas e estresse hídrico em fases críticas das lavouras. Para a agricultura, não basta saber se vai chover mais ou menos — o que importa é quando chove, como chove e em que fase da cultura isso acontece.

O impacto econômico agrava o cenário

O El Niño é climático, mas seu impacto no agro é também econômico. Quando os preços estão bons, parte da perda produtiva pode ser compensada pela receita. Quando os preços estão pressionados — como agora —, a mesma perda atinge diretamente o caixa, o crédito, a compra de insumos e a capacidade de investimento.

O índice de preços de alimentos da FAO ainda está 18,4% abaixo do pico de março de 2022, e o Banco Mundial projeta nova queda dos preços agregados de commodities em 2026 — o quarto ano consecutivo de recuo. Ao mesmo tempo, o dólar saiu de uma média de R3,3em2015paracercadeR3,3em2015paracercadeR 5,0 nos anos recentes (alta superior a 50%), e o diesel S-10 chegou a R7,16emmaiode2026,quaseodobrodarefere^nciadeR7,16emmaiode2026,quaseodobrodarefere^nciadeR 3,62 por litro usada após maio de 2018.

O que fazer agora?

Nesse ambiente, a recomendação não é simplesmente "cortar custo". Reduzir despesas que protegem a lavoura pode aumentar a vulnerabilidade e sair mais caro depois. O objetivo não deve ser gastar menos por hectare, mas reduzir o custo por unidade produzida.

Em algumas situações, a decisão correta pode ser trocar uma prática que funciona bem em condições ideais por outra que aumente a tolerância da cultura à seca, ao calor, ao excesso de chuva ou à perda de janela operacional. Mas a gestão emergencial tem limite. As ações realmente estruturantes exigem médio e longo prazo.

A irrigação como estratégia de previsibilidade

Um dos caminhos mais inteligentes é investir em irrigação eficiente. Sistemas irrigados modernos não se implantam de uma safra para outra — exigem diagnóstico, projeto, infraestrutura, energia e planejamento financeiro. Mas eles protegem a produção contra extremos, aumentam a estabilidade do resultado e melhoram a gestão da propriedade como um todo.

O Brasil ainda irriga uma área relativamente pequena diante de seu potencial: 8,2 milhões de hectares equipados, ante um potencial sustentável estimado em 55 milhões de hectares. Para comparação, China e Índia têm mais de 70 milhões de hectares irrigados cada uma, e os EUA, cerca de 26 milhões.

Não se trata de irrigar tudo, mas de lastrear uma fração estrategicamente selecionada da produção com sistemas eficientes. Em muitas culturas, inclusive na cana-de-açúcar, a irrigação suplementar ou deficitária bem manejada — aplicando a quantidade certa de água no momento certo — pode ser mais vantajosa do que a reposição total da demanda hídrica.

Verticalização e eficiência

Produzir mais na mesma área, com critério técnico, é uma alternativa à expansão horizontal sobre novas áreas, inclusive vegetação nativa. Quando conduzida com boa engenharia, manejo e agronomia, a verticalização reduz custo unitário, melhora logística, aumenta eficiência no uso da água e insumos, e reduz a pegada hídrica e de carbono.

Em culturas perenes, o prejuízo de um evento extremo não termina quando a chuva volta. A perda de vigor, a morte de plantas ou a necessidade de replantio podem gerar efeito cascata por várias safras. Em culturas anuais, o efeito biológico pode ser menor, mas o financeiro continua: uma safra ruim reduz caixa, posterga investimentos e aumenta a vulnerabilidade do ciclo seguinte.

🔧 Orientações:

  1. Monitore as previsões climáticas com atenção: acompanhe os boletins da NOAA, do IRI e do INMET. Quanto mais cedo você souber, mais tempo terá para planejar.

  2. Revise seu planejamento de safra: considere a janela de plantio, a escolha de cultivares mais tolerantes a estresses e a necessidade de ajustes no manejo.

  3. Invista em irrigação estratégica: mesmo que seja para uma fração da área, sistemas bem projetados protegem sua renda nos anos ruins. Consulte um engenheiro agrônomo para avaliar viabilidade técnica e financeira.

  4. Foque na eficiência, não apenas no custo: reduza o custo por unidade produzida, não apenas o gasto por hectare. Às vezes, gastar um pouco mais em tecnologia ou insumos que protegem a lavoura pode ser mais barato do que perder a safra.

  5. Proteja-se contra incêndios: em períodos de seca e calor, o risco de fogo aumenta. Mantenha aceiros, equipamentos de combate e planos de emergência atualizados.

  6. Planeje o longo prazo: ações estruturantes — como irrigação, manejo de solo e diversificação — não resolvem o problema de uma safra, mas criam resiliência para as próximas décadas.

  7. Controle o que você pode controlar: você não controla o preço internacional, mas controla eficiência, risco, custo por unidade e capacidade de atravessar os anos ruins. É nisso que você deve focar.

Fonte: Embrapa.

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