Pecuária

Genética leiteira do Brasil chega a Botswana

Esse cuidado é fundamental para compradores internacionais.

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
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A genética bovina brasileira acaba de ganhar mais espaço no mercado internacional. Neste mês, o Brasil realizou a primeira exportação de bovinos da raça Girolando para Botswana, no sul da África. Ao todo, 189 novilhas prenhes embarcaram por via aérea no dia 11 de julho, saindo da Fazenda Floresta, em Lins (SP), com destino à Fazenda Milk Valley, propriedade da Botswana Development Corporation (BDC), agência do governo responsável por projetos de desenvolvimento econômico.

A negociação representa mais do que uma venda de animais. Ela marca a abertura de um novo mercado para a pecuária leiteira brasileira e reforça o reconhecimento internacional da qualidade da genética desenvolvida no país. O embarque faz parte de um programa maior do governo de Botswana, que pretende importar 1.000 vacas leiteiras de alto desempenho para ampliar a produção nacional de leite, reduzir a dependência de importações e fortalecer sua cadeia agropecuária.

A escolha pela raça Girolando não aconteceu por acaso. Resultado do cruzamento entre as raças Holandesa e Gir, o Girolando reúne duas características muito valorizadas em países de clima quente: elevada produção de leite e excelente adaptação às condições tropicais e semiáridas. Além disso, os animais apresentam maior resistência ao calor, rusticidade e boa eficiência reprodutiva, fatores essenciais para sistemas de produção em regiões com desafios climáticos semelhantes aos encontrados em boa parte do Brasil.

As negociações para abertura desse mercado começaram em maio de 2025 e foram concluídas em março de 2026. Todo o processo contou com o apoio do projeto Brazilian Girolando, da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, responsável por fornecer informações técnicas, garantir a rastreabilidade genética e assegurar que todos os animais exportados possuíssem registro genealógico.

Esse cuidado é fundamental para compradores internacionais. O registro genealógico comprova a origem dos animais e oferece maior segurança quanto ao potencial produtivo, permitindo que países importadores invistam em rebanhos com características conhecidas e padronizadas.

A expectativa é que este seja apenas o primeiro de novos embarques. O governo de Botswana optou por realizar a introdução dos animais de forma gradual, permitindo adaptação ao ambiente, acompanhamento sanitário e estruturação da fazenda antes da expansão completa do rebanho. Quando o projeto estiver concluído, a Fazenda Milk Valley deverá atingir aproximadamente 3 mil cabeças de gado leiteiro, tornando-se um dos principais polos de produção do país.

Além do aumento na produção de leite, o programa deverá movimentar diversos setores ligados ao agronegócio local. A previsão é de crescimento da demanda por produção de forragens, assistência veterinária, transporte, processamento de leite, logística e distribuição, gerando empregos e fortalecendo a economia agrícola de Botswana.

Para o Brasil, a operação reforça um mercado que vem ganhando cada vez mais importância: a exportação de genética animal. Diferentemente da venda de carne ou leite, esse segmento agrega alto valor ao produto brasileiro e evidencia o avanço do melhoramento genético realizado ao longo das últimas décadas. O sucesso do Girolando em diferentes países demonstra que a pecuária nacional não exporta apenas alimentos, mas também tecnologia, conhecimento e soluções adaptadas aos trópicos.

🔧 Orientação prática: Se você trabalha com melhoramento genético ou produção de animais registrados, acompanhe as oportunidades abertas pelos mercados internacionais. Investir em controle genealógico, manejo sanitário, desempenho produtivo e certificação do rebanho pode ampliar o valor dos animais e abrir portas para futuros programas de exportação.

Fonte: Botswana Development Corporation (BDC) e Associação Brasileira dos Criadores de Girolando (Projeto Brazilian Girolando).

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