Agricultura

As melhores culturas para investir na safra 26/27

A seguir, veja quais são as principais oportunidades para 2026 e quais cuidados devem ser considerados antes de investir.

Daniel Scotá
Especialista
5 min de leitura
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Escolher o que plantar nunca foi uma decisão simples. Além da produtividade, o produtor precisa analisar preços, custos de produção, demanda, clima, disponibilidade de crédito e perspectivas de mercado. Em um cenário marcado por juros elevados, mudanças climáticas e maior competitividade internacional, investir na cultura certa pode fazer toda a diferença na rentabilidade da propriedade.

Embora nenhuma atividade agrícola ofereça retorno garantido, algumas culturas apresentam um conjunto de fatores que aumenta seu potencial de lucro e reduz riscos no médio e longo prazo. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), do Ministério da Agricultura e do comércio exterior mostram que café, frutas, hortaliças, amendoim e gergelim estão entre os segmentos que mais despertam atenção dos produtores neste momento.

Veja também: Mapa divulga novos preços mínimos agrícolas

1. Café conilon lidera as oportunidades

O café conilon (canéfora/robusta) ocupa a primeira posição entre as culturas mais promissoras de 2026. O crescimento da demanda mundial por cafés utilizados na indústria de café solúvel e em blends de espresso continua sustentando o mercado.

A Conab estima uma produção próxima de 20,9 milhões de sacas de conilon nesta safra. Em propriedades tecnificadas, irrigadas e bem manejadas, produtividades superiores a 80 ou até 100 sacas por hectare já são realidade em diversas regiões do Espírito Santo, Rondônia, sul da Bahia, Mato Grosso e parte de Minas Gerais.

Outro fator positivo é o desempenho das exportações brasileiras. Mesmo com redução no volume embarcado em 2025, a receita cambial do café atingiu aproximadamente US$ 15,6 bilhões, um recorde histórico.

Mas o produtor deve manter cautela. Os preços elevados observados nos últimos anos dificilmente permanecerão indefinidamente. O investimento precisa fechar a conta considerando preços mais conservadores e produtividade compatível com a realidade da propriedade.

Veja também: Café Arábica x Conilon: Comparativo das Duas Espécies Dominantes

2. Fruticultura segue crescendo

A produção de frutas voltadas à exportação continua ganhando espaço.

Em 2025, o Brasil exportou US$ 1,45 bilhão em frutas, recorde pelo terceiro ano consecutivo. Apenas no primeiro trimestre de 2026, as exportações já cresceram 25% em valor e 13% em volume.

Entre as culturas que mais chamam atenção estão:

  • manga;

  • uva de mesa;

  • limão Tahiti;

  • mamão;

  • melão;

  • abacate.

Cada uma possui características próprias, mas todas compartilham uma vantagem importante: elevado faturamento por hectare quando existe planejamento comercial.

Na fruticultura, porém, produzir bem não basta. É preciso definir antecipadamente comprador, embalagem, classificação, logística e padrão de qualidade.

3. Hortaliças podem gerar alta renda

Para propriedades menores, poucas atividades conseguem competir com as hortaliças cultivadas em ambiente protegido.

Tomate grape, tomate italiano, pimentão colorido, pepino japonês, alface hidropônica, rúcula e ervas especiais permitem vários ciclos durante o ano e oferecem alto valor agregado.

Além disso, estufas reduzem parte dos impactos provocados por chuvas intensas, facilitam o manejo da irrigação e melhoram o controle fitossanitário.

No Espírito Santo, por exemplo, a produção de pimentão aumentou 32,2% em 2024, mostrando que muitos produtores já enxergam oportunidade nesse segmento.

Por outro lado, o investimento inicial é elevado. Sem planejamento comercial e assistência técnica, a rentabilidade pode ficar abaixo do esperado.

4. Café especial amplia rentabilidade

Nem sempre produzir mais significa ganhar mais.

Em muitas propriedades de café arábica, investir em qualidade pode ser mais lucrativo do que ampliar área.

A Conab estima uma safra nacional próxima de 66,7 milhões de sacas em 2026, mas os melhores resultados financeiros continuam aparecendo entre produtores que trabalham com diferenciação.

Fermentação controlada, rastreabilidade, separação de lotes e venda direta permitem acessar mercados que pagam prêmios muito superiores aos do café commodity.

O principal desafio continua sendo o longo período necessário para formação da lavoura e a elevada sensibilidade às condições climáticas.

5. Amendoim conquista espaço

O amendoim deixou de ser apenas uma cultura regional.

O Brasil exportou aproximadamente 323 mil toneladas na temporada encerrada em março de 2026, estabelecendo um novo recorde.

As exportações de óleo de amendoim praticamente triplicaram em relação ao ano anterior, impulsionadas principalmente pela demanda chinesa.

Além da boa rentabilidade, o amendoim oferece benefícios agronômicos importantes na rotação de culturas, especialmente em áreas anteriormente ocupadas por cana-de-açúcar.

O maior desafio continua sendo o controle da qualidade. Problemas com aflatoxinas durante colheita, secagem ou armazenamento podem inviabilizar a comercialização.

6. Gergelim ganha força

O gergelim consolidou-se como uma importante alternativa para a segunda safra, principalmente em Mato Grosso.

Entre julho de 2024 e junho de 2025, o Brasil exportou cerca de 367,8 mil toneladas, crescimento superior a 200% em relação ao ciclo anterior.

A abertura do mercado chinês acelerou o interesse dos produtores, principalmente em áreas onde o milho apresenta maior risco climático.

Mesmo assim, especialistas recomendam cautela.

O aumento da produção mundial provocou queda nos preços internacionais. Por isso, o ideal é cultivar a cultura já com contrato de comercialização definido.

7. Cacau continua estratégico

Mesmo após a forte correção dos preços internacionais, o cacau permanece como uma oportunidade de longo prazo.

Bahia, Pará, Espírito Santo e Rondônia concentram boa parte do potencial de expansão da cultura.

Segundo dados da CNA, o Brasil ainda apresenta déficit de produção e precisa importar parte das amêndoas consumidas pela indústria nacional.

Isso significa que existe espaço para crescimento, principalmente com aumento de produtividade e produção de cacau de qualidade.

Entretanto, trata-se de um investimento para quem pensa no longo prazo, já que a implantação é lenta e exige mão de obra especializada.

8. Soja continua sendo referência

Embora dificilmente seja a cultura de maior lucro por hectare, a soja permanece entre as mais seguras para grandes áreas.

A Conab projeta produção próxima de 177,7 milhões de toneladas na safra 2025/26.

Seu principal diferencial está na possibilidade de integrar diferentes sistemas produtivos:

  • soja + milho safrinha;

  • soja + algodão;

  • soja + gergelim;

  • soja + feijão;

  • soja + integração lavoura-pecuária.

Esse modelo aumenta o aproveitamento das máquinas, melhora a utilização da área durante o ano e reduz riscos financeiros.

O desafio continua sendo controlar custos de produção, principalmente fertilizantes, defensivos, arrendamentos e juros do crédito rural.

O que o produtor deve considerar antes de investir?

Mais importante do que escolher a cultura "da moda" é avaliar se ela se adapta à realidade da propriedade.

Disponibilidade de água, solo, clima, mão de obra, logística, assistência técnica e mercado comprador pesam tanto quanto o preço da commodity.

Em muitos casos, investir em tecnologia, manejo e qualidade gera retorno maior do que simplesmente ampliar a área cultivada.

🔧 Orientação: Antes de iniciar qualquer novo projeto, faça um planejamento econômico detalhado. Calcule o custo de implantação, o capital de giro, o prazo de retorno e tenha um plano de comercialização antes mesmo do plantio. Na agricultura, as melhores oportunidades costumam aparecer para quem combina boa gestão com eficiência técnica, e não apenas para quem escolhe a cultura que está em alta.

Fontes: Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), dados do comércio exterior brasileiro e estatísticas setoriais de exportação de café, frutas, amendoim e gergelim.

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