LED pode aumentar eficiência no cultivo de morangos
Outro destaque foi o regime de iluminação senoidal.
Pesquisadores brasileiros identificaram que a combinação correta de espectros de luz LED e um regime de iluminação que simula a variação natural da luz solar pode melhorar o desempenho fisiológico do morangueiro em sistemas de cultivo vertical. O estudo mostra que a estratégia favorece a fotossíntese, aumenta a eficiência no uso da luz e ainda pode reduzir o consumo de energia em ambientes de produção totalmente controlados.
A pesquisa foi conduzida no Instituto Federal Goiano (IF Goiano) – Campus Rio Verde, em ambiente de agricultura vertical com sistema aeropônico, utilizando plantas de morango da cultivar Albion. Os resultados foram publicados na revista científica Scientific Reports, do grupo Nature Portfolio.
Os cientistas compararam quatro tipos de iluminação LED (branca, azul, vermelha e uma combinação de vermelho, azul e branco — RBW) sob dois regimes de luz: intensidade constante e intensidade variável, em formato senoidal, que reproduz a curva natural de luminosidade ao longo do dia. Ao todo, foram avaliadas 216 plantas cultivadas por 90 dias em condições controladas de temperatura, umidade e nutrição.
Segundo os pesquisadores, a combinação RBW apresentou os melhores resultados entre os espectros testados. As plantas desenvolveram maiores índices de clorofila, melhor absorção da energia luminosa e maior eficiência fotossintética. Além disso, houve alterações positivas na estrutura interna das folhas, aumentando a área disponível para interceptação de luz e dióxido de carbono (CO₂), fatores diretamente ligados ao crescimento vegetal.
Outro destaque foi o regime de iluminação senoidal. De acordo com o estudo, a variação gradual da intensidade luminosa ao longo do dia estimulou mecanismos fisiológicos de adaptação das plantas e influenciou o desenvolvimento dos tecidos foliares responsáveis pelo armazenamento e aproveitamento da energia produzida durante a fotossíntese. Os autores destacam que esse tipo de manejo pode contribuir para maior eficiência produtiva em cultivos protegidos.
Além dos ganhos fisiológicos, o trabalho cita pesquisas anteriores do mesmo grupo mostrando que diferentes espectros de LED também apresentam diferenças significativas no consumo de energia elétrica. Em comparação com a iluminação branca, o espectro RBW consumiu menos energia, reforçando que a escolha da iluminação pode influenciar tanto a produtividade quanto os custos operacionais em sistemas de agricultura vertical.
Os pesquisadores ressaltam, porém, que ainda são necessários novos estudos para ampliar o conhecimento sobre os efeitos dos diferentes espectros e regimes de iluminação em outras culturas e condições de cultivo. Segundo eles, o avanço dessas pesquisas poderá contribuir para tornar a agricultura vertical mais eficiente, sustentável e economicamente viável.
🔧 Orientação prática: Para produtores que utilizam estufas, cultivo protegido ou agricultura vertical, a iluminação artificial deixou de ser apenas uma fonte de luz e passou a ser uma ferramenta de manejo. Antes de investir em sistemas de LED, vale a pena avaliar não apenas a intensidade da luz, mas também o espectro utilizado e o consumo energético, fatores que podem influenciar diretamente a produtividade e os custos da operação.