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Grande Produtora de café negocia dívidas bilionárias

Considerando apenas os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), a dívida gira em torno de R$ 300 milhões.

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
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O Grupo Ruiz Coffees, um dos maiores produtores de café do Brasil, iniciou uma negociação com credores para reorganizar suas finanças e manter as operações no campo. A empresa conseguiu na Justiça uma suspensão de 60 dias na cobrança de suas dívidas enquanto busca um acordo que permita preservar a produção e evitar a perda de ativos estratégicos.

A medida cautelar foi concedida em 29 de junho pelo juiz Paulo Roberto Zaidan Maluf, da Vara Regional Empresarial de São José do Rio Preto (SP). Durante esse período, a companhia pretende avançar nas negociações com instituições financeiras e fundos de investimento que financiaram sua expansão nos últimos anos.

Entre as alternativas em estudo está a transferência das fazendas dadas como garantia para um fundo controlado pelos próprios credores. Nesse modelo, as terras continuariam sendo utilizadas pelo Grupo Ruiz por meio de um contrato de arrendamento, permitindo que a produção de café siga normalmente. A empresa também teria a possibilidade de recomprar essas áreas no futuro. Outra opção analisada é a venda de parte das propriedades para reduzir o nível de endividamento.

Segundo a empresa, a crise financeira foi provocada pela combinação de investimentos elevados em expansão, aumento expressivo das taxas de juros, concentração de dívidas de curto prazo, dificuldades para renovar linhas de crédito e pelo próprio ciclo da cafeicultura, que exige um intervalo maior entre os investimentos e o retorno financeiro da produção.

Grande parte dos recursos captados veio do mercado financeiro por meio dos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros), modalidade utilizada para financiar projetos do agronegócio. Conforme informou o grupo, a alta dos juros aumentou significativamente o custo dessas operações e pressionou o fluxo de caixa da empresa.

As fazendas oferecidas como garantia foram vinculadas por meio de alienação fiduciária, mecanismo em que o bem permanece como garantia da dívida até sua quitação. Esse tipo de garantia possui tratamento diferenciado em processos de recuperação judicial, o que torna as negociações ainda mais importantes para ambas as partes.

Considerando apenas os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), a dívida gira em torno de R$ 300 milhões. Fontes do mercado estimam que o endividamento total possa chegar a R$ 1 bilhão, embora a empresa afirme que os valores ainda estão sendo consolidados e não confirme esse montante.

Fundado em 1930, o Grupo Ruiz Coffees é administrado pela quarta geração da família Ruiz e ocupa posição entre os maiores produtores de café do país. A empresa possui 22 fazendas distribuídas entre Minas Gerais e Bahia, cerca de 9 mil hectares plantados e produção anual próxima de 250 mil sacas de café de 60 quilos. O grupo também mantém um armazém em Piumhi (MG), com capacidade para 160 mil sacas.

Segundo o diretor financeiro Ricardo Prado, os investimentos realizados nos últimos anos tiveram como objetivo ampliar a produtividade, modernizar a estrutura e consolidar uma operação agrícola de longo prazo. No entanto, a elevação do custo do crédito e a redução da oferta de financiamento por parte de instituições financeiras dificultaram a renovação das operações justamente em um período decisivo para o ciclo produtivo.

Para o mercado, a conclusão das negociações será acompanhada de perto, principalmente porque envolve operações estruturadas por Fiagros e Certificados de Recebíveis do Agronegócio, instrumentos cada vez mais utilizados para financiar a expansão de empresas rurais no Brasil.

🔧 Orientação: Se você utiliza crédito para custeio, investimento ou expansão da propriedade, este caso reforça a importância de acompanhar o perfil das suas dívidas. Buscar equilíbrio entre prazos de financiamento, fluxo de caixa e capacidade de pagamento reduz os riscos em períodos de juros elevados e de maior restrição ao crédito rural.

Fonte: Globo Rural.

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