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Endividamento pressiona crédito no agro

Para lideranças do setor, a solução passa por mudanças estruturais

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
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O agronegócio brasileiro vive um momento de forte pressão financeira. Mesmo com recordes de produção e exportação, o setor enfrenta juros elevados, margens cada vez menores e um crescimento acelerado do endividamento. Hoje, a carteira considerada problemática do crédito rural já soma R$ 256 bilhões, reunindo dívidas em atraso, renegociadas e operações em recuperação judicial.

Segundo levantamento da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), esse valor faz parte de uma carteira total de crédito rural de aproximadamente R$ 1,2 trilhão. Ao mesmo tempo, dados da Serasa Experian mostram que 1.990 pedidos de recuperação judicial foram registrados em 2025, alta de 56,4% em relação ao ano anterior. Mato Grosso lidera esse cenário, com 332 solicitações.

Especialistas apontam que a crise não está relacionada à capacidade de produzir, mas à rentabilidade da atividade. Nos últimos anos, muitos produtores enfrentaram uma combinação difícil: aumento da taxa de juros, custos elevados com fertilizantes, defensivos e logística, além da queda nas cotações de diversas commodities agrícolas. Com isso, mesmo propriedades produtivas passaram a ter dificuldades para gerar caixa suficiente para honrar seus compromissos financeiros.

Outro fator que limita a recuperação é o acesso ao crédito. Embora o Plano Safra 2026/27 tenha disponibilizado R$ 622,4 bilhões para o financiamento da agropecuária e da agricultura familiar, produtores inadimplentes não conseguem acessar essas linhas oficiais. Além disso, bancos e empresas privadas têm adotado critérios mais rigorosos na concessão de novos financiamentos.

O seguro rural também preocupa o setor. Estudos indicam que o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) cobre apenas 3,27% da área plantada no Brasil, enquanto entidades defendem um orçamento de cerca de R$ 4 bilhões para atender à demanda nacional. Na avaliação de representantes do agro, uma cobertura maior poderia reduzir perdas financeiras e diminuir a necessidade de renegociação de dívidas.

Para lideranças do setor, a solução passa por mudanças estruturais. Entre as propostas estão a criação de uma política permanente de crédito rural, ampliação do seguro agrícola, fortalecimento das garantias financeiras e mecanismos que permitam aos produtores atravessar períodos de baixa rentabilidade sem comprometer a continuidade da atividade.

🔧 Orientação: Se você possui financiamentos rurais ou pretende contratar crédito para a próxima safra, faça um planejamento detalhado do fluxo de caixa e acompanhe as alternativas de renegociação e seguro rural. Em um cenário de crédito mais seletivo, organização financeira será cada vez mais importante para manter a sustentabilidade da propriedade.

Fonte: Forbes.

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