Seca na Europa reduz safra de milho
Além da França, Hungria e Espanha também enfrentam perdas devido ao estresse hídrico.
A safra de milho da Europa enfrenta um cenário cada vez mais preocupante. Depois de semanas de calor intenso e falta de chuvas, produtores e analistas revisaram para baixo as estimativas de produção, principalmente na França, que pode registrar sua menor colheita em quase 50 anos.
A associação europeia de comércio de grãos Coceral reduziu em quase 8% sua previsão para a produção de milho da União Europeia, agora estimada em 52,7 milhões de toneladas. Se confirmada, será a menor safra desde 2007. A consultoria Expana também revisou sua estimativa para baixo, apontando perdas provocadas pelas condições climáticas na França e na Hungria.
Na França, a situação é especialmente delicada. O país enfrentou três ondas de calor desde o fim de maio, com poucas chuvas e temperaturas elevadas justamente em uma fase decisiva para o desenvolvimento das lavouras. Dados do órgão agrícola FranceAgriMer mostram que as condições das plantações atingiram o pior nível em pelo menos 15 anos.
Segundo a Expana, a produção francesa está estimada em 8,9 milhões de toneladas, cerca de um terço abaixo da safra anterior. No entanto, caso o clima continue desfavorável, a colheita poderá ficar abaixo de 8 milhões de toneladas, algo que não ocorre desde 1976, outro ano marcado por calor extremo.
Os impactos já chegaram ao campo. Em regiões do oeste francês, alguns produtores começaram a cortar áreas de milho antes mesmo da polinização para transformá-las em silagem, garantindo alimento para o rebanho. A decisão reduz ainda mais a área destinada à produção de grãos e pode pressionar a oferta europeia nos próximos meses.
Além da França, Hungria e Espanha também enfrentam perdas devido ao estresse hídrico. Somado a isso, muitos agricultores reduziram o plantio de milho nesta safra, desestimulados pelos baixos rendimentos registrados nos últimos anos e pelo aumento dos custos com fertilizantes e energia. A área cultivada na União Europeia caiu para menos de 8 milhões de hectares, o menor nível deste século.
A principal exceção é a Romênia. Apesar da redução na área plantada nos últimos anos, as chuvas bem distribuídas favoreceram as lavouras em 2026. A expectativa é de recuperação da produtividade, com uma produção estimada em 8,2 milhões de toneladas, ajudando a compensar parcialmente as perdas registradas em outros países.
Para o produtor brasileiro, esse cenário merece atenção. Uma menor oferta de milho na Europa pode aumentar a demanda internacional pelo cereal produzido em outros grandes exportadores, como o Brasil. Dependendo da evolução da safra no Hemisfério Norte, os reflexos podem chegar ao mercado interno por meio das exportações e dos preços.
🔧 Orientação: Se você produz milho ou acompanha o mercado de grãos, monitore as próximas atualizações das safras na Europa. Quebras de produção em grandes regiões exportadoras costumam influenciar os preços internacionais e podem abrir oportunidades comerciais para o milho brasileiro.