Pó de rocha pode ganhar novo papel no agro
O estudo também faz um alerta importante.
Uma nova publicação científica da revista PNAS propõe uma mudança importante na forma como o uso de pó de rocha silicatada deve ser encarado na agricultura. Em vez de tratar o intemperismo acelerado de rochas (Enhanced Rock Weathering – ERW) apenas como uma tecnologia para remoção de carbono da atmosfera, os pesquisadores defendem que ele seja visto, antes de tudo, como uma prática de agricultura sustentável, voltada para melhorar a fertilidade e a saúde do solo.
Segundo os autores, os benefícios agronômicos podem ser mais relevantes para estimular a adoção da tecnologia do que a comercialização de créditos de carbono. O pó de rocha silicatada pode atuar como corretivo da acidez do solo e, ao mesmo tempo, fornecer nutrientes como fósforo, potássio, silício dissolvido e micronutrientes. Além disso, sua dissolução mais lenta pode manter o pH adequado por mais tempo, reduzindo a necessidade de reaplicações frequentes.
O estudo também faz um alerta importante. A aplicação de doses muito elevadas — como 50 toneladas por hectare ao ano — apenas para maximizar a captura de carbono pode trazer riscos ao solo, incluindo o acúmulo de metais como o níquel. Por isso, os pesquisadores defendem que a saúde do solo não deve ser comprometida em busca de créditos de carbono.
Outro ponto destacado é que medir com precisão a quantidade de carbono removida da atmosfera ainda é complexo e caro. Diversos processos químicos naturais podem alterar os resultados, tornando difícil comprovar exatamente quanto carbono foi sequestrado. Por isso, os autores sugerem modelos mais simples de monitoramento, aliados a incentivos governamentais, programas de compartilhamento de custos e subsídios para estimular o uso agrícola dos silicatos.
Como exemplo, o artigo cita programas de incentivo ao uso de plantas de cobertura nos Estados Unidos, que ajudaram a ampliar significativamente a adoção dessa prática entre 2012 e 2017. A proposta é seguir uma lógica semelhante para o uso do pó de rocha, colocando o agricultor no centro da estratégia de expansão da tecnologia.
Na prática, isso significa que o produtor pode se beneficiar primeiro pelos ganhos agronômicos — melhoria da fertilidade, correção da acidez e possível aumento da produtividade — enquanto o potencial de remoção de carbono passa a ser um benefício adicional, e não o principal motivo para adoção da tecnologia.
🔧 Orientação prática: O pó de rocha pode ser uma ferramenta interessante para o manejo da fertilidade, mas sua utilização deve ser baseada na análise de solo, na mineralogia do material e em recomendações técnicas. A escolha da fonte e da dose é fundamental para garantir benefícios agronômicos e evitar aplicações excessivas.