A ADMINISTRAÇÃO RURAL COMO PROCESSO DE GESTÃO DAS PROPRIEDADES RURAIS
O Produtor Rural, a cada dia que passa, vem se modernizando e buscando rentabilidade para sua atividade, e isso tem exigido cada vez mais racionalidade nos seus investimentos e nas atividades desenvolvidas. A Administração Rural deve ser uma das ferramentas a ser utilizada para avaliar o retorno que essas atividades podem oferecer ao produtor. Assim sendo, devem ser avaliados os custos de produção e a viabilidade nos investimentos e a tomada de decisão sobre qual atividade é importante e de como dentro de um cenário econômico, no qual a margem de lucro vem decrescendo, pode-se otimizar os recursos econômicos, humanos e naturais existentes na propriedade ou na região, buscando, a sustentabilidade da família do homem do campo. Para conhecer melhor estes e outros aspectos realizou-se este estudo buscando avaliar como o produtor rural utiliza a Administração Rural no desenvolvimento e na condução de sua propriedade. A partir dos dados coletados pôde-se observar que o produtor rural utiliza pouco o controle de custos de produção e age sem uma análise técnica ou aprofundada na tomada de decisão em sua propriedade. Sendo assim, acreditamos ser necessário um trabalho de sensibilização do produtor rural na busca de uma assessoria para implantar um sistema de Administração Rural que possa garantir a sustentabilidade da propriedade rural.
INTRODUÇÃO
Vivemos em uma sociedade onde os hábitos e os costumes existentes servem como parâmetros para a formação de um estilo de vida que, na maioria das vezes, é adotado como sendo o ideal.
Assim sendo, no setor agrícola aquilo que vinha sendo tido como certo pelo costume de antigamente hoje não se adapta devido às mudanças ocorridas, ocasionando dificuldades para o produtor rural. Uma análise mais detalhada das situações se faz necessária em cada atividade ou em cada fase de produção que se encontra o produtor rural a fim de não ter problemas futuros por ações que não foram planejadas.
A aplicação da Administração Rural tem como finalidade proporcionar ao produtor a possibilidade de minimizar os riscos em suas atividades através do planejamento e do controle de investimentos e de custos de produção.
Do ponto de vista do agricultor, as maiores vantagens significam maiores lucros. Do ponto de vista da sociedade, as maiores vantagens são uma maior produção e com melhor qualidade, maiores salários, disponibilidade de empregos e o melhor uso do capital, da terra e do trabalho.
Não se pode pensar em ajudar os produtores sem entender bem quais são os seus objetivos, isto pode ser a causa do fracasso de todo um trabalho.
A competitividade está cada vez maior, e a entrada de produtos agrícolas estrangeiros, provenientes de países onde a agricultura, no geral, é subsidiada pelo Estado, exige que o agricultor brasileiro mude a maneira de administrar sua propriedade e sua produção, para poder competir com os estrangeiros.
A Administração Rural como processo de gestão deve estar nas mãos dos próprios produtores. Isso implica em planejamento, tomada de decisões, controle de custos, construção de metas e administração do processo produtivo até a distribuição e comercialização dos produtos.
Considerando-se a dinâmica de produção do meio rural, pode-se observar que muitos produtores não conduzem suas atividades seguindo aspectos importantes da Administração Rural, o que têm causado vários problemas como: endividamento, perda da capacidade produtiva e venda do patrimônio para saldar suas dívidas e o abandono da atividade.
Justificativa
A agricultura já passou por várias crises a última foi na década de 90 e atualmente estamos vivendo outra. Muita gente ficou no caminho e permanecera na atividade quem adotar um processo de gestão e de gerenciamento de sua atividade.
Desta forma, a Administração Rural pode desempenhar um importante papel como ferramenta gerencial, através de informações que permitam o planejamento, o controle e a tomada de decisão, transformando as propriedades rurais em empresas com rentabilidade e com capacidade de acompanhar a evolução do setor, principalmente no que tange aos
objetivos e atribuições de avaliação financeira, controle de curtos, diversificação de culturas, avaliação e comparação de resultados.
Assim, este trabalho preocupa-se em avaliar a situação atual e propor alternativas no campo da Administração Rural principalmente buscando despertar a necessidade e o interesse de um trabalho de gerenciamento por parte dos produtores que assim terão base para avaliar sua atividade e que decisões tomarem, além disso, fazer com que os acadêmicos da área de administração busquem participar, de forma que este campo de trabalho seja mais valorizado e possa abrigar profissionais que com amplo conhecimento possam ajudar um setor que está pouco organizado e necessitando de trabalho que de resultado assim tanto o produtor bem como os governos não passarão por transtornos de tempo em tempo por crises no setor.
Diante do exposto, o problema pesquisado foi:
“O Produtor Rural utiliza algum método administrativo ou contábil para tomar suas decisões? E nas decisões, ele possui consciência dos possíveis resultados?”
Os problemas têm-se repetido inúmeras vezes e pode ser percebidos através das renegociações de dívidas, protestos, queixas de que os preços dos produtos estão baixos e de que os insumos estão com preços muito altos, com produtores abandonando a atividade e instalando-se em grandes centros em busca de emprego sob a alegação de que a agricultura não é viável. Além de muitos outros produtores que são obrigados a se desfazerem de sua propriedade para saldarem seus débitos em função de que a atividade não traz o sustento de sua família.
Constantemente vimos os produtores rurais alegando que os preços de mercado dos produtos não cobrem o que se gasta para produzir e que a saída é mudar de atividade. Ocorre geralmente porque o produtor rural não planeja suas atividades, não pesquisa as necessidades do mercado, desperdiça dinheiro na compra de insumos, pagando preços altos em época de maior demanda, ou em aquisições de máquinas superdimensionadas para seu volume de produção e área cultivada.
A propriedade rural deve ser encarada como uma empresa produtora de bens e serviços. Por definição, a empresa tem por objetivo produzir economicamente, ou seja, com lucro. O lucro é aquela parcela de preço do mercado que supera os custos de produção. Examinando cada uma dessas variáveis, concluímos imediatamente que a variável mais fácil
de ser dominada pelo produtor é o custo de produção, através de pesquisas, planejamento, orçamento e controle nas aquisições de tais insumos e serviços nos momentos oportunos.
O controle dos custos de produção para o produtor rural serve como elemento auxiliar de sua administração na escolha das culturas ou criações a serem implantadas, das práticas agrícolas a serem utilizadas, das novas tecnologias a serem adotadas, direcionando e auxiliando-o na sua atividade.
Essas discrepâncias devem fazer com que o produtor analise com mais profundidade, as condições de produção, de modo a relacionar e buscar os meios para produzir com mais eficiência.
Assim, o objetivo foi o de verificar se o produtor rural de Sananduva realiza planejamento de suas atividades em relação a custos de produção, investimentos e tomada de decisão.
METODOLOGIA
Quanto ao procedimento técnico, este estudo classifica-se como pesquisa de levantamento, pois os dados analisados foram coletados junto aos produtores rurais de forma aleatória, no município de Sananduva durante o mês de maio de 2008, buscando assim, através de uma amostragem, verificar a situação atual dos produtores em relação ao gerenciamento e a administração de custos de produção na propriedade rural. Uma de suas características reside na utilização de técnicas padronizadas de coleta de dados, sendo que o presente trabalho foi realizado com bases quantitativas e qualitativas e enriquecido com pesquisa bibliográfica.
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
Nos dias atuais é necessário um bom conhecimento e embasamento técnico para qualquer atividade que se queira implementar, assim também é na agricultura e mais ainda pelas suas características que como sendo uma atividade que está diretamente ligada a fatores externos que podem interferir nos seus resultados. o conhecimento e a pesquisa faz com que possamos dirigir melhor nossos rumos e tomar as decisões de forma a buscar nossos objetivos.
Para Santos e Marion (1996) a agricultura é definida como a arte de cultivar a terra, arte decorrente da ação do homem sobre o processo produtivo à procura da satisfação de suas necessidades básicas.
Segundo Crepaldi (2005), a agricultura deve desempenhar os seguintes papéis no processo de desenvolvimento:- produzir alimentos baratos e de boa qualidade; - produzir matéria-prima para a indústria; - pela exportação, trazer dinheiro para o país; - dar condições dignas de vida para o trabalhador.
Segundo Acosta et al. (1999), desde a existência do ser humano no planeta terra, podemos observar os vários ciclos que a agricultura passou. O primeiro ciclo, na era primitiva, foi caracterizado pela ação do instinto, ou seja, o homem não havia descoberto seu intelecto para resolver seu maior problema: comer. Posteriormente, com a descoberta do intelectual, inicia-se o ciclo da caça, pesca e extração. Mais tarde começa o ciclo da agricultura primitiva, em que se descobre a possibilidade do cultivo para obter alimentos.
Outro ciclo marcante foi o da agricultura de subsistência, na qual iniciam as trocas de mercadorias. Em seguida começou o ciclo da agricultura de excedente, em que as ferramentas e a tração animal são os meios de produção mais importantes. A partir deste momento, começa o ciclo da agricultura de escala, em que a máquina e a indústria agem diretamente na produção. Já na era moderna, dos anos 50 em diante, tivemos o ciclo da agricultura de demanda, em que a tecnologia e a mecanização são determinantes (ACOSTA ET AL., 1999)
Em nossos dias, qual será o ciclo que estamos vivenciando? Chamaremos esse ciclo de agricultura de mercado, em que o capital é o grande responsável pela “organização” da produção agropecuária. Salientamos que muitos dos ciclos passados eram controlados pêlos governos diferentemente da agricultura de mercado, ou seja, o governo interfere menos (ACOSTA ET AL.,1999)
Assim, na situação atual de vinculação e dependência do agricultor em relação ao mercado, torna-se indispensável aos produtores rurais o conhecimento aprofundado de seu negócio, a agricultura. Para tanto deve o produtor estar bem informado sobre as condições de mercado para seus produtos agrícolas bem como conhecer as condições dos recursos naturais de seu estabelecimento rural Pelo conhecimento do que está ocorrendo no mercado, o
agricultor pode escolher melhor o tipo de atividade que deve desenvolver (ACOSTA ET AL., 1999)
Para Crepaldi (2005), o conhecimento das condições de mercado e dos recursos naturais dá ao produtor rural os elementos básicos para o desenvolvimento de sua atividade econômica. Cabe a ele agora decidir o quê, quanto e como produzir, controlar a ação após iniciar a atividade e, por ultimo avaliar os resultados alcançados e compará-los com os previstos inicialmente.
Para Acosta et al. (1999) o campo de atuação da administração rural passa pelo conhecimento das condições de mercado e dos recursos naturais isso dá ao produtor rural os elementos básicos para o desenvolvimento de sua atividade econômica. Cabe a ele, agora decidir as ações em seus quatro níveis: estratégico, gerencial, operacional, operacional e sustentável.
O ideal é que o empresário rural dedique, ao longo do ano, o seu tempo de maneira equilibrada, nos quatro níveis de ações.
Em certa época, dedicar o seu tempo em “o que produzir”, buscando informações para decidir. Depois, dedicar o tempo para “como produzir”, indo atrás de tecnologias e conhecimentos. Em outra época, a do plantio, por exemplo, dedicar boa parte do tempo ao operacional, acompanhando a execução das atividades.
O conjunto das ações de decidir o que, quando e como produzir, controlar o andamento dos trabalhos e avaliar os resultados constitui o campo de ação do administrador rural.
Para que essas decisões sejam eficazes, o administrador deve conhecer os fatores que afetam os resultados econômicos, os quais são de natureza externa e interna (SANTOS E MARION, 2002)
- Fatores externos: preços dos produtos: histórico e tendência; clima: histórico e tendência; existência de mercado para os produtos; política de crédito e financiamento; transporte; disponibilidade de mão-de-obra.
- Fatores internos: tamanho da empresa agropecuária; rendimentos dos cultivos e criações; seleção e combinação de atividades produtivas; eficiência da mão-de-obra; eficiência do equipamento; condições pessoais do administrador, etc.
A Administração Rural, segundo Crepaldi (2005), é, portanto, o conjunto de atividades que facilita aos produtores rurais a tomada de decisões em nível de sua unidade de produção, com o fim de obter o melhor resultado econômico, mantendo a produtividade da terra.
Segundo Lima et al.(2001), as preocupações específicas com a área da administração agrícola verificaram-se primeiramente nos Estados Unidos e na Inglaterra, juntamente com o processo de modernização da agricultura daqueles países e sob a denominação de Farm Management – administração da propriedade rural. Consta também que foram os economistas e os agrônomos os primeiros profissionais a atuarem nesta área, com estudos de viabilidade econômica das atividades agrícolas e das recomendações técnicas propostas pelos agricultores.
A Administração Rural é o processo de se conseguir, através de atos e fatos administrativos conscientemente dirigidos, uma produção que se enquadre nos princípios econômicos, visando obter um maior rendimento e, conseqüentemente, um maior lucro. Trabalhar visando um controle econômico e não somente técnico. (ACOSTA ET AL, 1999).
Desta forma a Administração Rural busca reduzir os riscos e assim maximizar os resultados.
No Brasil, ainda segundo Lima et al., (2001), o desenvolvimento teórico e prático da administração rural vêm-se dando com base em duas abordagens. A primeira abordagem e representada basicamente pela obra de Hoffmann et al. (1976), onde a administração rural é definida como um ramo da economia rural que estuda a organização e administração de uma empresa agrícola, visando o uso mais eficiente dos recursos para obter resultados mais compensadores e contínuos.
Crepaldi (2005), afirma que é possível constatar que a administração rural no Brasil ainda se desenvolve dentro de critérios bastante tradicionais ou com um padrão de desempenho inaceitável. Essa característica não é atributo apenas de pequenos produtores rurais, prevalecendo também entre as médias e grandes empresas, com economia de mercado e elevados níveis de renda.
Todas as atividades rurais por menores que elas sejam, requerem um controle eficiente, uma vez que os impactos das decisões administrativas são fundamentais para uma boa gestão. Um fato real que acontece hoje na maioria das propriedades rurais é que muitos dos serviços contábeis que são importantes instrumentos gerenciais não são utilizados por seus administradores ou proprietários. Muitas vezes, o produtor rural guarda em sua memória as informações, não anota os acontecimentos que são de extrema importância para a correta contabilização, de maneira que, com o passar do tempo, são esquecidos, e não calculados na hora da comercialização dos produtos.
Assim, para Crepaldi (2005), a contabilidade rural é um dos principais sistemas de controle e informação das empresas rurais. Com a análise de balanço patrimonial e da demonstração de resultado do exercício é possível verificar a situação da empresa, sob os mais diversos enfoques, tais como análises de estrutura, de evolução, de solvência, de garantia de capitais próprios e de terceiros, de retorno de investimentos.
Para Crepaldi (2005), a contabilidade rural tem especificamente as seguintes finalidades: orientar as operações agrícolas e pecuárias; medir o desempenho econômico- financeiro da empresa e de cada atividade produtiva individualmente; controlar as transações financeiras; apoiar as tomadas de decisões no planejamento da produção, das vendas e dos investimentos; auxiliar as projeções de fluxos de caixa e necessidades de crédito; permitir a comparação do desempenho da empresa no tempo e desta com outras empresas; conduzir as despesas pessoais do proprietário e de sua família; justificar a liquidez e a capacidade de pagamento da empresa junto aos agentes financeiros e outros credores; servir de base para seguros, arrendamentos e outros contratos; gerar informações para a declaração do Imposto de Renda.
A tomada de decisão é uma função do administrador rural. Várias decisões devem ser tomadas para que a empresa rural funcione. Estas decisões afetam a rentabilidade da exploração agrícola.
Para Santos et al. ( 2002), o conjunto de ações de decidir o que, quando e como produzir, controlar o andamento dos trabalhos e avaliar os resultados constitui o campo de atuação do administrador rural.
Para que estas decisões sejam eficazes, o administrador deve conhecer os fatores que afetam os resultados econômicos.
Assim observando os aspectos acima estaremos garantindo o sucesso na tomada de decisão, bem como estaremos minimizando os riscos que poderão surgir quando uma decisão é tomada de forma empírica.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Quando os produtores rurais forma questionados sobre sua visão de lucratividade da sua atividade, observou-se que 64% dos entrevistados a consideram lucrativa. Isto evidencia que a grande maioria dos produtores acredita na sua atividade com uma possibilidade de retorno financeiro e com esta ele é capaz de progredir e manter o sustento de sua família, o que é muito positivo, pois contribui para a diminuição do êxodo rural e possibilita vislumbrar um futuro de crescimento.
Em relação aos 36% que consideram sua atividade não lucrativa, isto pode ter sido influenciado pelo momento em que a agricultura passa em relação à baixa rentabilidade, devido aos preços baixos dos produtos e a problemas climáticos ocorridos na safra passada.
Em relação à realização de cálculos e análises ao logo da condução da atividade, todos os produtores pesquisados responderam que simplesmente supõe ou são influenciados pela opinião de outros em relação ao resultado de sua atividade. O mesmo ocorre em relação aos cálculos de custo de produção com análise de depreciação de máquinas e instalações, mão-de- obra o que é preocupante, pois pode acarretar a sua exclusão do sistema produtivo nos próximos anos (figura 01).
Avaliando-se estas questões anteriores observa-se que os produtores rurais, na sua grande maioria, não possuem nenhuma ou pouca preocupação em relação a conhecer a rentabilidade de sua propriedade ou não delegam importância em saber ou medir os resultados do seu trabalho na sua propriedade. Sem um conhecimento dos resultados o produtor pode incorrer em erros que o leve a ter grandes problemas de liquidez. Estes problemas evidenciam quando preços baixos dos produtos ou quebra de safras que baixam a rentabilidade da propriedade. Produtores que não possuem nenhum tipo de reserva de safras anteriores,
provavelmente, terão dificuldades em se manter na sua propriedade. Com um bom sistema de gerenciamento a sustentabilidade da propriedade pode ser mantida de forma mais segura.
Analisando-se os resultados sobre a separação dos gastos pessoais, como saúde, lazer e outros, com os gastos na atividade agrícola, observou-se que 93% dos produtores pesquisados não separam os seus gastos pessoais com os da propriedade e apenas 7% dizem separar os gastos pessoais com os da propriedade (figura 01).
Estes dados reforçam a falta de organização, planejamento e administração das propriedades rurais.

Em relação a investimentos na compra de equipamentos ou terras, a grande maioria dos produtores, 86% responderam que realizaram investimentos e 14% não realizaram nenhum investimento nos últimos quatro anos. Isto pode ser explicado pela busca de financiamento, pois 71% dos entrevistados realizaram esta prática, propiciando aumentar seu patrimônio e a expansão de sua atividade tanto na aquisição de novos equipamentos ou na compra de terras para aumentar sua produção.
Esta disponibilidade de recursos, nos agentes financeiros, tem propiciado aos produtores adquirir equipamentos para a sua propriedade, acredita-se que, muitas vezes, sem uma avaliação adequada da viabilidade de tal investimento. Isto tem acontecido nos últimos anos justamente quando o agronegócio esteve em fase de expansão e com boa rentabilidade. A indústria de máquinas e implementos, em função desta demanda, aproveitou para aumentar seus ganhos e aumentar sua produção, muitos empregos foram gerados neste período e neste setor e,na medida que a atividade agrícola sofre com a baixa rentabilidade, ocorre também
uma redução expressiva na aquisição de tais equipamentos o que causa problemas para a indústria e toda a cadeia envolvida neste setor. Se houvesse um bom gerenciamento no setor agrícola haveria uma demanda constante com um crescimento contínuo, reduzindo-se assim, as crises no setor.
Para avaliar o nível de precaução e resguardo quanto a possíveis dificuldades futuras foi perguntado se os produtores tinham algum tipo de investimento em poupança ou qualquer outra forma de economia que pudesse ser utilizado por ocasião de alguma dificuldade na propriedade.
Conforme a figura 02, do total 65% disse que não tinham nenhum tipo de economia e apenas 35% responderam ter alguma reserva. Certamente os produtores não têm uma preocupação com a necessidade de ter uma reserva de capital para possíveis dificuldades, ou a atividade não lhes possibilita esse tipo de economia, seja pela oscilação de produção ocasionada pelo clima, pela situação cambial e de preço, pela má administração ou cultura. Esta falta de reserva compromete a sustentabilidade da propriedade.

Acredita-se que haja necessidade deste tipo de atitude em um setor que é tido como de altos e baixos em função dos riscos que ele está sujeito em se tratando de clima, dificuldade de comercialização pela oferta excessiva em determinadas épocas e conseqüentemente os preços em baixa. Uma reserva de capital evitaria que o produtor fosse obrigado a se desfazer de sua produção em épocas com preços baixos para saldar seus compromissos.
A maioria dos produtores tende a dar maior importância à produção do que a comercialização. O que é natural e até compreensível, afinal produzir é sua especialidade. Com a evolução do mercado, o produtor rural não deverá mais ser exclusivamente produtor e
sim ser, também, um bom negociador e comerciante. De nada adianta altos índices de produtividade se não há, paralelamente, uma comercialização que os transforme em lucros.
Por não dominarem o mercado, os produtores, na sua maioria, tendem a afastar-se dele acreditando que o mesmo é muito complexo e de difícil entendimento, assim perdem a possibilidade de influir na rentabilidade de suas propriedades.
Dentre as perguntas feitas aos produtores algumas buscaram identificar as dificuldades enfrentadas quanto ao cumprimento de seus compromissos em relação a financiamentos e investimentos, observou-se que 36% dos entrevistados disseram que tiveram dificuldades em saldar suas dívidas e 64% disseram que nunca tiveram dificuldade em cumprir seus compromissos. Isso mostra que uma considerável parcela dos produtores já teve dificuldade em pagar suas contas, o que gera uma intranqüilidade para o produtor e uma série de problemas os quais tornam a propriedade incapaz de progredir e dar a sustentabilidade para a sua família principalmente dos produtores familiares. Quando isso ocorre, há uma perda da motivação do produtor e tudo se torna mais difícil.
Com a falta de recursos o produtor diminui os investimentos, tanto em tecnologia como em insumos, que são indispensáveis para o andamento da suas atividades. A produtividade também fica comprometida e todo o processo produtivo e de sustentabilidade da propriedade fica comprometida.
Já com um planejamento adequado estes riscos ficam minimizados. Um bom sistema gerencial de receitas e despesas possibilita maior segurança para o produtor. Certamente, sem a adoção de métodos de controle o produtor não conseguirá se manter na sua atividade, precisara sempre de apoio de outros para permanecer na propriedade.
Quando o produtor fora perguntado sobre a venda de patrimônio para pagamento de dívidas, todos afirmaram que não, contudo 93% dos entrevistados informaram terem sido beneficiados pela renegociação de dívidas ou anistia de financiamentos ( figura 03).
Em relação à assistência técnica, todos os entrevistados afirmaram ter buscado a mesma, contudo quando perguntados se utilizam esse serviço como auxílio para a tomada de decisão para investimentos e gerenciamento da propriedade, somente 7% buscaram orientação, o que expressa uma cultura de solucionar problemas mediatos e específicos voltados à condução das culturas e produção e não na organização e administração da propriedade.

Provavelmente, o produtor não busca um serviço de gerenciamento para evitar problemas de gestão, mas sim busca respostas imediatas para resolver problemas específicos de determinados assuntos, utilizando somente a assistência técnica para a elaboração de projetos para buscar financiamentos em bancos e não busca avaliar, juntamente com assistência técnica, a viabilidade dos investimentos que irá fazer. Também supõe-se que os profissionais não estejam habilitados ou treinados para implantar um sistema capaz de gerenciar a propriedade e que possa trazer resultados ao produtor. Ressalta-se que deve haver uma confiança mútua entre assistência técnica e produtor para que um sistema gerencial seja eficiente.
A cada certo período o problema se repede, renegociação, anistia, securitização de dívidas bancárias e queixas de que a atividade agrícola não consegue se sustentar. Como toda e qualquer atividade deve-se avaliar os riscos. Uma boa avaliação poderia diminuir estes problemas, tanto por parte dos produtores buscando agir com prudência, com segurança e com decisões fundamentadas a fim de reduzir estes riscos, e de outro lado os governos com políticas de apoio com garantia de preços mínimos que efetivamente cubram os custos de produção.
Ainda, a disponibilização de um seguro agrícola eficiente que por ocasião de alguma quebra de safra em função de problema climático, seja capaz de dar suporte e fazer com que o produtor possa ter sua sustentabilidade garantida, bem como a adoção de uma política governamental destinada ao setor com regras que sejam cumpridas tanto pelo governo como pelos produtores, são aspectos a serem considerados quando se pretende garantir o sustentabilidade da produção agropecuária.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A Administração Rural como processo de gestão das propriedades rurais ainda é uma ferramenta pouco utilizada pelos produtores rurais como demonstrou este trabalho. Assim, um trabalho de conhecimento deve ser realizado junto aos produtores rurais sensibilizando-os da necessidade e dos resultados que se pode alcançar com um gerenciamento da propriedade num contexto local regional e global. No contexto local, isto é, dentro da propriedade, com a racionalidade na tomada de decisões, com embasamento técnico, buscando ter boa produtividade e organização de modo a ajustar todas as atividades
para que se tenha sustentabilidade na propriedade.
Buscar fomentar formas associativas para a aquisição de insumos e máquinas a fim de conseguir barganhar preços melhores e assim melhorar os resultados na sua atividade. O associativismo na aquisição de máquinas poderá servir como forma de diminuir os custos e um melhor aproveitamento da capacidade destes equipamentos.
Dentro das próprias universidades, deverá haver uma preocupação maior em desenvolver uma contabilidade que seja aplicada no gerenciamento da propriedade rural. Está ferramenta seria indispensável para todos os produtores rurais até os que não possuem estrutura suficiente para manter um controle de seus custos, despesas e receitas em suas propriedades rurais.
Profissionais capazes em assessorar estes produtores serão necessários e, assim, um novo campo de trabalho possa ser explorado.
Com o produtor sensibilizado da importância do gerenciamento da sua propriedade e adotando-a de forma a fazer com que esta ferramenta seja capaz de ter resultados em seus empreendimentos, poderá permitir a sua luta por seu espaço em um mundo cada vez mais globalizado e com tantas novidades surgindo o tempo todo.
Em seguida, o produtor rural irá perceber que a atividade rural unida com a Administração Rural será um caminho mais seguro, e que seu correto planejamento e controle irá lhe proporcionar ótimos resultados econômicos e assim a sustentabilidade da propriedade rural.
FONTE
ANTUNES, et al, Influência do processo de secagem na qualidade microbiológica da pimenta-do-reino., Es.gov.br, 2022.