Sustentabilidade

Novos biocombustíveis ganham espaço no Brasil

O movimento pode beneficiar especialmente regiões que ficaram fora da expansão do etanol de cana e de milho.

Daniel Vilar
Especialista
6 min de leitura
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O mercado brasileiro de etanol está entrando em uma nova fase. Além da cana-de-açúcar e do milho, outras matérias-primas começam a ganhar espaço na produção de biocombustíveis, ampliando as alternativas para o setor agropecuário e criando novas oportunidades de renda para produtores rurais.

Atualmente, a cana-de-açúcar responde por cerca de 71% da produção nacional de etanol, com previsão de 28,5 bilhões de litros em 2026. O milho aparece em segundo lugar, com 11,2 bilhões de litros. Agora, culturas como trigo, cevada, sorgo, batata-doce, além de resíduos agroindustriais e até desperdícios alimentares, começam a ser incorporadas ao setor.

Um dos projetos mais avançados é da empresa Be8, que está investindo R$ 1,7 bilhão em uma biorrefinaria no Rio Grande do Sul para produzir etanol a partir de trigo e outros grãos de inverno. A unidade deve entrar em operação em 2027 com capacidade para produzir 220 milhões de litros por ano.

O movimento pode beneficiar especialmente regiões que ficaram fora da expansão do etanol de cana e de milho. No Sul do Brasil, por exemplo, o uso de trigo para biocombustível pode abrir um novo mercado para produtores e estimular o cultivo de cereais de inverno.

Outro diferencial dessas novas rotas produtivas é a geração de coprodutos para alimentação animal. No caso do trigo e do milho, a produção de etanol gera os chamados DDGs (grãos secos de destilaria), ricos em proteína e amplamente utilizados na nutrição de bovinos, suínos e aves.

A expansão também alcança outras culturas. Empresas já estudam a produção de etanol a partir de batata-doce, melaço de soja e até agave, planta utilizada na fabricação de tequila e mezcal. Há ainda iniciativas que transformam resíduos alimentares descartados em combustível renovável.

O avanço ocorre em um momento em que o Brasil amplia sua política de biocombustíveis. A expectativa é que a mistura obrigatória de etanol na gasolina passe de 30% para 32%, elevando a demanda nacional em cerca de 1 bilhão de litros por ano.

Especialistas avaliam que, nos próximos cinco a seis anos, os grãos poderão representar entre 40% e 45% da produção brasileira de etanol. Isso reforça o papel da agricultura na transição energética e amplia as possibilidades de agregação de valor dentro das propriedades rurais.

🔧 Orientação prática: Se você produz trigo, sorgo, milho ou outras culturas com potencial energético, vale acompanhar os investimentos em novas usinas e biorrefinarias na sua região. A demanda por matérias-primas para biocombustíveis pode abrir mercados adicionais e aumentar as opções de comercialização da produção nos próximos anos.

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