Pecuária

Carne bovina enfrenta novo desafio externo

Como alternativa, o setor vê oportunidades nos Estados Unidos.

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
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O mercado da carne bovina brasileira entrou em uma nova fase de atenção. Depois de anos com forte crescimento das exportações para a China, o setor começou a sentir os efeitos da nova cota de importação imposta pelo país asiático. Como consequência, frigoríficos, pecuaristas e toda a cadeia produtiva já enfrentam um cenário de maior pressão comercial.

Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a cota preferencial de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina para a China, com tarifa reduzida de 12%, já foi totalmente utilizada. A partir desse limite, os embarques passam a pagar uma tarifa adicional de 55%, o que reduz a competitividade da carne brasileira naquele mercado.

A China é, de longe, o principal comprador da carne bovina do Brasil. Em 2025, o país importou cerca de 1,65 milhão de toneladas do produto brasileiro. Agora, a expectativa da Abiec é de uma queda significativa nesse volume, contribuindo para uma redução de aproximadamente 10% nas exportações totais de carne bovina do Brasil em 2026.

O impacto não fica restrito às exportações. Segundo a entidade, frigoríficos já começam a reduzir o ritmo de produção. Algumas empresas adotaram férias coletivas e outras iniciaram demissões para adequar a operação à menor demanda. Além disso, setores que utilizam subprodutos bovinos, como indústrias farmacêuticas e operadores de câmaras frigoríficas, também podem sentir os reflexos.

O cenário preocupa porque as medidas adotadas pela China têm previsão de permanecer em vigor por três anos, exigindo uma adaptação mais duradoura das empresas brasileiras.

Ao mesmo tempo, outro mercado importante também gera incertezas. O Brasil ainda busca se adequar às exigências da União Europeia relacionadas ao controle do uso de antibióticos na produção animal. Caso não avance nas negociações, o país poderá enfrentar novas restrições para vender carne ao bloco europeu. Embora a Europa represente um volume menor de compras que a China, suas decisões costumam influenciar outros mercados internacionais.

Como alternativa, o setor vê oportunidades nos Estados Unidos. A oferta reduzida de gado no mercado norte-americano mantém os preços elevados, aumentando a necessidade de importações. Além disso, a carne bovina brasileira permanece isenta das tarifas de 25% anunciadas recentemente pelos EUA para diversos produtos brasileiros. Mesmo assim, esse mercado ainda não tem capacidade para substituir o volume adquirido pela China.

Se você é pecuarista, especialmente fornecedor de frigoríficos exportadores, é importante acompanhar o comportamento das escalas de abate, dos preços da arroba e da demanda regional nos próximos meses. Alterações nas exportações costumam influenciar diretamente o mercado interno, principalmente em momentos de maior oferta de animais.

Também vale ficar atento às oportunidades de melhoria de eficiência dentro da fazenda. Em períodos de maior pressão sobre os preços, indicadores como ganho de peso, taxa de desfrute, qualidade da carcaça e custo por arroba produzida fazem ainda mais diferença na rentabilidade da atividade.

🔧 Orientação: converse com o frigorífico ou cooperativa que compra seus animais para entender como as mudanças no mercado externo podem afetar as escalas e os critérios de compra da sua região. Acompanhar essas informações ajuda a definir o melhor momento para comercializar o rebanho e reduzir riscos diante das oscilações do mercado.

Fonte: Bloomberg.

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