Agricultura

Pré-emergente no milho: qual o momento certo?

Nessas situações, o produtor deve optar por moléculas que apresentem seletividade para ambas as culturas.

Gustavo Loose
Especialista
4 min de leitura
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Uma dúvida muito comum entre os produtores é sobre o melhor momento para aplicar os herbicidas pré-emergentes no milho. Afinal, vale mais a pena aplicar antes da semeadura, logo após o plantio ou é possível fazer a aplicação exatamente durante a operação da plantadeira? A resposta depende do produto utilizado, da cultura e do sistema de produção, principalmente quando há consórcio com feijão.

No caso da atrazina, um dos herbicidas mais utilizados na cultura do milho, a aplicação pode ser realizada alguns dias antes da semeadura, logo após o plantio ou até mesmo de forma simultânea à semeadura, desde que sejam respeitadas todas as recomendações da bula. A molécula é seletiva para o milho, incluindo híbridos comerciais e muitas variedades de milho crioulo, como o AG 1051, desde que utilizada na dose correta e nas condições recomendadas.

Apesar dessa possibilidade, a aplicação durante a semeadura nem sempre é a alternativa mais eficiente. O principal motivo é que os herbicidas pré-emergentes formam uma "barreira química" na superfície do solo, responsável por impedir a germinação das plantas daninhas. Quando a plantadeira passa logo após a pulverização, os discos de corte, sulcadores e rodas compactadoras podem romper essa camada tratada, criando pequenas faixas onde as plantas invasoras conseguem emergir com mais facilidade, principalmente sobre a linha de plantio.

Por esse motivo, muitos especialistas recomendam que a aplicação seja feita logo após a semeadura, quando o solo já foi movimentado pela plantadeira. Dessa forma, a barreira permanece uniforme sobre toda a área, aumentando a eficiência do controle das plantas daninhas.

Outro fator importante é a umidade do solo. A maioria dos herbicidas pré-emergentes apresenta melhor desempenho quando existe umidade suficiente para ativar o produto. Em períodos muito secos, a eficácia pode ser reduzida até que ocorra uma chuva capaz de incorporar o herbicida na camada superficial do solo.

Quando o assunto é consórcio de milho com feijão, o manejo muda completamente. Embora a atrazina seja segura para o milho, ela é altamente fitotóxica ao feijão, podendo comprometer completamente o estabelecimento da cultura. Por isso, não é recomendada em sistemas onde milho e feijão serão implantados simultaneamente ou em sucessão imediata. Em geral, recomenda-se um intervalo mínimo de aproximadamente 90 dias entre a aplicação da atrazina e o cultivo do feijão.

Nessas situações, o produtor deve optar por moléculas que apresentem seletividade para ambas as culturas. Uma das principais alternativas é o S-metolacloro, herbicida eficiente no controle de gramíneas e de parte das plantas daninhas de folhas largas. Ele pode ser utilizado em sistemas de consórcio entre milho e feijão, normalmente com aplicação logo após a semeadura.

Mesmo assim, alguns cuidados são necessários. Em solos arenosos, por exemplo, o S-metolacloro pode aumentar o risco de fitotoxicidade no feijão, especialmente quando ocorrem chuvas intensas logo após a aplicação ou quando são utilizadas doses superiores às recomendadas.

Exemplo prático: Se você cultiva apenas milho, a atrazina continua sendo uma excelente ferramenta de manejo, preferencialmente aplicada logo após a semeadura para garantir uma barreira uniforme no solo. Já se pretende consorciar milho e feijão crioulo, é importante escolher herbicidas seletivos para ambas as espécies, evitando prejuízos à leguminosa.

🔧 Orientação: Antes de definir o pré-emergente, considere sempre o sistema de cultivo, a textura do solo, a umidade disponível e as culturas que serão implantadas na sequência. Além disso, siga rigorosamente as recomendações de bula e conte com o acompanhamento de um engenheiro-agrônomo para ajustar doses e épocas de aplicação às condições da sua propriedade. Isso aumenta a eficiência do controle de plantas daninhas e reduz riscos de fitotoxicidade e perdas de produtividade.

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