Café solúvel escapa de tarifa dos EUA
O impacto foi ainda mais intenso entre agosto e dezembro de 2025, período em que a tarifa de 50% esteve em vigor.
Uma boa notícia para a cafeicultura brasileira chegou do mercado internacional. O café solúvel produzido no Brasil foi incluído na lista de produtos isentos da nova tarifa de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre importações brasileiras. Com isso, todo o café exportado pelo país para o mercado norte-americano — tanto o café verde quanto o solúvel — passa a entrar sem essa cobrança adicional.
A decisão era aguardada pela indústria, já que o café solúvel era o único segmento da cadeia cafeeira brasileira que ainda permanecia sujeito à tributação. Segundo o Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé), a medida preserva entre US$ 2 bilhões e US$ 2,5 bilhões por ano em exportações brasileiras de café para os Estados Unidos, principal consumidor mundial da bebida.
Nos últimos meses, a taxação teve efeitos diretos sobre o comércio. O café solúvel chegou a enfrentar uma tarifa de 50%, o que reduziu significativamente sua competitividade no mercado americano. Como resultado, as exportações brasileiras de café solúvel caíram 28,2% em 2025, totalizando o equivalente a 558.470 sacas, volume que representou cerca de 15% das exportações brasileiras desse produto no período, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics).
O impacto foi ainda mais intenso entre agosto e dezembro de 2025, período em que a tarifa de 50% esteve em vigor. Nesse intervalo, os embarques de café solúvel para os Estados Unidos recuaram 62,8% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Os reflexos também apareceram nas exportações totais de café brasileiro. No ano-safra 2025/26 (julho a junho), os embarques para os Estados Unidos diminuíram 43,2%, fazendo com que a Alemanha ultrapassasse o mercado norte-americano e se tornasse o principal destino do café brasileiro nesse período.
Segundo o diretor-geral do Cecafé, Marcos Matos, a isenção é resultado de um trabalho conjunto realizado pela indústria brasileira e pela National Coffee Association (NCA), entidade que representa o setor cafeeiro dos Estados Unidos. O objetivo foi demonstrar que o café solúvel brasileiro agrega valor à cadeia produtiva e contribui para manter a oferta e a estabilidade dos preços ao consumidor americano.
A decisão também reforça a importância da parceria comercial entre os dois países. Enquanto o Brasil segue como maior produtor e exportador mundial de café, os Estados Unidos permanecem como o maior mercado consumidor da bebida. Essa complementaridade fortalece a relação comercial e reduz riscos para toda a cadeia produtiva.
Se você produz café, especialmente para abastecer cooperativas ou indústrias que atuam na exportação, a retirada da tarifa melhora a competitividade do produto brasileiro no maior mercado consumidor do mundo. Isso pode contribuir para a recuperação da demanda por café solúvel e fortalecer toda a cadeia cafeeira, beneficiando produtores, indústrias e exportadores.
Mesmo assim, o cenário internacional continua exigindo atenção. Custos logísticos, câmbio e oscilações da demanda global continuam influenciando a formação dos preços pagos ao produtor.
🔧 Orientação: acompanhe os boletins de mercado da sua cooperativa ou exportadora. Mudanças nas regras do comércio internacional podem abrir novas oportunidades de venda e influenciar diretamente o planejamento da comercialização da sua safra.