Brasil fortalece reserva mundial de sementes
A importância desse tipo de conservação já foi comprovada na prática.
Enquanto boa parte do mundo acompanha os desafios das mudanças climáticas e da segurança alimentar, o Brasil deu mais um passo importante para proteger o futuro da agricultura. Nesta semana, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) realizou a entrega de uma nova remessa de sementes ao maior banco genético do planeta, localizado no arquipélago de Svalbard, na Noruega, dentro do Círculo Polar Ártico.
A missão foi liderada pela presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, que participou pessoalmente do depósito de 24 novos acessos de sementes brasileiras no Svalbard Global Seed Vault, conhecido mundialmente como o “cofre do fim do mundo”.
Com a nova remessa, o Brasil passa a contar com 8.149 amostras armazenadas no banco internacional. Entre os materiais enviados estão sementes de caju, fava, amendoim, mamona e gergelim, culturas que possuem importância econômica, social e histórica para diferentes regiões do país, especialmente o Nordeste e o Cerrado.
Cada amostra armazenada representa um patrimônio genético valioso. As sementes são acondicionadas em embalagens herméticas, mantidas a 18 graus negativos, garantindo sua conservação por décadas ou até séculos. A Embrapa é a única instituição autorizada a solicitar a retirada dos materiais brasileiros depositados no local.
O Svalbard Global Seed Vault foi criado justamente para funcionar como uma espécie de seguro mundial da agricultura. Localizado a 120 metros de profundidade dentro de uma montanha congelada, o cofre foi projetado para resistir a terremotos, conflitos armados, falhas de energia, enchentes e outros eventos que possam comprometer bancos de germoplasma espalhados pelo mundo.
Hoje, o banco abriga mais de 1,38 milhão de amostras de sementes provenientes de mais de cinco mil espécies agrícolas, enviadas por 223 países e territórios. A estrutura tem capacidade para armazenar até 2,5 bilhões de sementes.
A importância desse tipo de conservação já foi comprovada na prática. Em 2015, pesquisadores do Oriente Médio precisaram recuperar sementes armazenadas em Svalbard após a destruição de um importante banco genético durante a guerra civil na Síria. Foi a primeira retirada oficial da história do cofre e demonstrou o papel estratégico da iniciativa para a preservação da biodiversidade agrícola mundial.
Para o Brasil, o armazenamento dessas sementes vai muito além da conservação histórica. O material genético guardado hoje pode ser fundamental para o desenvolvimento de futuras variedades mais resistentes à seca, ao calor, a novas doenças e às mudanças climáticas.
Na prática, cada semente preservada representa uma fonte de genes que poderá ser utilizada pelos programas de melhoramento genético para desenvolver cultivares mais produtivas e adaptadas aos desafios que surgirem nas próximas décadas.
O país participa do programa desde 2012. Inicialmente, foram depositadas amostras de arroz e milho. Ao longo dos anos, o acervo foi ampliado com feijão, trigo e variedades tradicionais preservadas por agricultores familiares brasileiros. Em 2025, por exemplo, sementes mantidas pela Associação dos Guardiões de Ibarama, no Rio Grande do Sul, também passaram a integrar o cofre mundial.
Além da entrega das sementes, a missão brasileira na Noruega fortaleceu parcerias internacionais. A Embrapa assinou uma Carta de Intenções com o Instituto Norueguês de Pesquisa em Bioeconomia (NIBio), ampliando a cooperação em áreas como produção sustentável de alimentos e conservação dos recursos naturais.
Por que isso importa para você?
A produtividade das lavouras do futuro dependerá cada vez mais da diversidade genética disponível hoje. Quanto maior a variedade de materiais preservados, maiores serão as possibilidades de desenvolver plantas capazes de enfrentar secas, altas temperaturas, novas pragas e outras adversidades que afetam o campo.
🔧 Orientação:
Se você trabalha com sementes crioulas, variedades locais ou materiais adaptados à sua região, valorize sua conservação. Muitas das tecnologias que estarão disponíveis nas próximas décadas podem nascer justamente da diversidade genética preservada hoje por agricultores, pesquisadores e instituições de pesquisa.