Capacidade de armazenagem cresce, mas desafio continua
Os silos continuam sendo a principal estrutura de armazenagem do país.
O Brasil encerrou o segundo semestre de 2025 com capacidade de armazenagem de grãos e produtos agrícolas estimada em 233,8 milhões de toneladas. O volume representa um crescimento de 1,1% em relação ao semestre anterior e confirma a expansão gradual da infraestrutura de estocagem no país.
Os dados são da Pesquisa de Estoques do IBGE e mostram que o número de estabelecimentos armazenadores também avançou, chegando a 9.668 unidades ativas, alta de 0,5% na comparação com o primeiro semestre do ano.
Apesar do crescimento nacional, o avanço ocorreu de forma desigual entre as regiões. O Norte registrou a maior expansão no número de unidades armazenadoras, com alta de 4,7%, seguido pelo Nordeste (1,9%), Sudeste (1,5%) e Centro-Oeste (0,3%). A Região Sul foi a única a apresentar redução no número de estabelecimentos.
Os silos continuam sendo a principal estrutura de armazenagem do país. A capacidade disponível nesse tipo de instalação alcançou 124,7 milhões de toneladas, equivalente a 53,3% de toda a capacidade armazenadora brasileira. Em apenas seis meses, houve aumento de 1,2% na capacidade dos silos.
A Região Sul lidera quando o assunto é armazenamento em silos, concentrando 42,7% de toda a capacidade nacional desse tipo de estrutura. Já os armazéns convencionais, estruturais e infláveis predominam nas regiões Sul e Sudeste, onde são amplamente utilizados para produtos armazenados em sacarias, como arroz e café.
O levantamento também mostra onde está concentrada a infraestrutura de armazenagem brasileira. O Rio Grande do Sul lidera em número de estabelecimentos, com 2.444 unidades. Em seguida aparecem Mato Grosso, com 1.799, e Paraná, com 1.372 armazéns.
Quando o assunto é capacidade total, Mato Grosso permanece na liderança absoluta. O estado possui 64,2 milhões de toneladas de capacidade instalada, impulsionado pela forte produção de soja e milho. Rio Grande do Sul e Paraná aparecem logo atrás, com 38,9 milhões e 35,7 milhões de toneladas, respectivamente.
Entre os municípios, Sorriso (MT) continua ocupando posição de destaque. Considerado um dos maiores polos agrícolas do mundo, o município possui capacidade de armazenagem de 5,9 milhões de toneladas, a maior do país. Boa parte dessa estrutura é composta por armazéns graneleiros, responsáveis por mais de 76% da capacidade local.
Além da infraestrutura, a pesquisa revelou quais produtos ocupavam os armazéns brasileiros no encerramento de 2025. O milho liderava os estoques com 22,8 milhões de toneladas armazenadas. Na sequência aparecem a soja, com 7,3 milhões de toneladas; o trigo, com 6 milhões; o arroz, com 2,9 milhões; e o café, com aproximadamente 800 mil toneladas.
Juntos, esses cinco produtos representavam mais de 90% de todo o volume monitorado pela pesquisa. No total, foram contabilizadas 44,1 milhões de toneladas de produtos agrícolas armazenados no país.
Embora os números mostrem crescimento da capacidade instalada, o desafio ainda é grande. A produção brasileira de grãos já supera 350 milhões de toneladas por safra, o que significa que boa parte da produção ainda depende de estruturas temporárias ou da comercialização imediata após a colheita.
A evolução da armazenagem ao longo dos anos mostra a dimensão desse avanço. Desde 1997, a capacidade total instalada no Brasil mais que dobrou, passando de 110 milhões para 233,8 milhões de toneladas, um crescimento acumulado de 112,5%.
O que isso significa para você?
Ter acesso à armazenagem é cada vez mais estratégico para o produtor. Quem consegue estocar sua produção ganha mais flexibilidade para escolher o momento da venda, reduz a pressão da colheita e pode aproveitar melhores oportunidades de mercado ao longo do ano.
🔧 Orientação:
Se você pretende ampliar sua capacidade de armazenagem nos próximos anos, acompanhe as linhas de financiamento disponíveis para construção de silos e armazéns. Em um cenário de safras cada vez maiores, armazenar bem pode ser tão importante quanto produzir bem.